{"id":2567,"date":"2018-11-22T09:19:10","date_gmt":"2018-11-22T12:19:10","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2567"},"modified":"2018-11-22T09:19:10","modified_gmt":"2018-11-22T12:19:10","slug":"como-analisar-as-novas-empresas-da-bolsa-de-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2567","title":{"rendered":"Como analisar as novas empresas da bolsa de valores?"},"content":{"rendered":"<p>As empresas que v\u00eam acessando a Bolsa de Valores t\u00eam apresentado caracter\u00edsticas diferentes das empresas j\u00e1 listadas. Esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 novo. \u00c9 resultado da migra\u00e7\u00e3o de uma sociedade industrial para uma pautada no conhecimento. Como isso afeta o trabalho dos analistas?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No artigo j\u00e1 antigo \u201cDisappearing dividends: changing firm characteristics or lower propensity to pay?\u201d, o pr\u00eamio Nobel Eugene Fama e o economista Kenneth French j\u00e1 indicavam que altera\u00e7\u00f5es substantivas aconteciam nas novas empresas americanas. Em 1978, 66,5% das companhias listadas pagavam dividendos. J\u00e1 em 1999, esse percentual havia ca\u00eddo para 20,8%. Segundo os autores, grandes empresas com rentabilidade alta e menor montante de investimentos a serem executados s\u00e3o mais propensas a pagar dividendos. Contudo, eles constataram que as companhias que vinham acessando o mercado acion\u00e1rio possu\u00edam caracter\u00edsticas opostas: eram pequenas, de baixa rentabilidade e com investimentos robustos.<\/p>\n<p>Dentre as novas listadas, 50,8% pagavam dividendos entre 1963 e 1977. Essa propor\u00e7\u00e3o se reduziu para 9,0% entre 1978 e 1999 e para apenas 3,7% em 1999, provavelmente consequ\u00eancia do boom de empresas de tecnologia no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A rentabilidade das pagadoras de dividendos, considerando-se o lucro l\u00edquido sobre o patrim\u00f4nio, era maior do que o dobro das n\u00e3o pagadoras, 12,75% contra 6,15%. Al\u00e9m disso, at\u00e9 1978, 90% das novas companhias que adentravam a bolsa eram lucrativas. Esse percentual havia ca\u00eddo para 51,5% em 1998.<\/p>\n<p>Empresas pequenas, em tese, apresentar\u00e3o crescimento de rentabilidade nos anos futuros conforme seus investimentos correntes produzam resultados. Por isso, \u00e9 natural que apresentem menor rentabilidade do que empresas maduras. Por outro lado, companhias com essas caracter\u00edsticas possuem maior risco, pois muitas n\u00e3o conseguir\u00e3o entregar os resultados prometidos. Seus investimentos atuais podem n\u00e3o se mostrar produtivos no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Embora o estudo tenha tempo, as novas companhias que buscam as bolsas no momento continuam tendo as caracter\u00edsticas citadas por Fama e French. V\u00e1rias empresas de destaque na economia americana s\u00e3o do setor tecnol\u00f3gico, cujas hist\u00f3rias s\u00e3o de crescimento: investimentos no presente para aumentar a base de usu\u00e1rios, diluir custos fixos e, por fim, aumentar a rentabilidade.<\/p>\n<p>Essas empresas necessitam de uma an\u00e1lise diferenciada. Elas ainda apresentam preju\u00edzo o que inviabiliza o uso do m\u00faltiplo P\/L (pre\u00e7o por lucro). Mesmo as que apresentam lucro, esse ainda \u00e9 t\u00edmido, o que distorce o m\u00faltiplo.<\/p>\n<p>Essas companhias n\u00e3o s\u00e3o intensas em ativos fixos. Os gastos relevantes s\u00e3o em processos, pesquisa e desenvolvimento. O principal \u201cativo\u201d, o capital intelectual, \u00e9 despesa, logo n\u00e3o transita no patrim\u00f4nio l\u00edquido (vide artigo \u201cContratar o Einstein \u00e9 custo ou investimento?\u201d). Logo o valor patrimonial tende a ser baixo comparado ao valor de mercado o que inviabiliza outra m\u00e9trica: o P\/VPA (pre\u00e7o por valor patrimonial por a\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Como essas empresas n\u00e3o pagam dividendos, o retorno do investidor fica restrito ao ganho de capital: a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o de venda e o de compra da a\u00e7\u00e3o. Logo, outro indicador, o \u201cdividend yield\u201d (dividendo por a\u00e7\u00e3o dividido pelo pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o) perde funcionalidade.<\/p>\n<p>As tecnologias disruptivas inserem um grau de incerteza ainda maior \u00e0s proje\u00e7\u00f5es, tornando a analise por fluxo de caixa descontado ainda mais problem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na falta das m\u00e9tricas tradicionais, a an\u00e1lise hoje, mais do que nunca, precisa incorporar abordagens qualitativas: capacidade dos administradores, estrat\u00e9gias de crescimento, rela\u00e7\u00e3o com clientes (fideliza\u00e7\u00e3o) e fornecedores, governan\u00e7a corporativa &#8230;<\/p>\n<p>Tal como em diversas outras profiss\u00f5es, o analista de investimento est\u00e1 sob press\u00e3o. Precisa se reinventar, pois do contr\u00e1rio morre.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas a modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As empresas que v\u00eam acessando a Bolsa de Valores t\u00eam apresentado caracter\u00edsticas diferentes das empresas j\u00e1 listadas. Esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 novo. \u00c9 resultado da migra\u00e7\u00e3o de uma sociedade industrial para uma pautada no conhecimento. 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