{"id":2557,"date":"2018-10-04T10:06:04","date_gmt":"2018-10-04T13:06:04","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2557"},"modified":"2018-10-04T10:06:04","modified_gmt":"2018-10-04T13:06:04","slug":"a-falta-de-governanca-aleija-e-ate-mata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2557","title":{"rendered":"A falta de governan\u00e7a \u00b4aleija e at\u00e9 mata`"},"content":{"rendered":"<p>As a\u00e7\u00f5es da operadora de sa\u00fade Qualicorp (QUAL3) apresentaram queda de 29,4% na \u00faltima segunda. A companhia assinou um contrato de n\u00e3o competi\u00e7\u00e3o com seu Presidente e acionista indireto no valor de R$ 150 milh\u00f5es por um per\u00edodo de seis anos.\u00a0 Onde os analistas de mercado erraram? Como os investidores podem se precaver sobre riscos \u00e0 governan\u00e7a?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Muitos participantes do mercado acreditam que a avalia\u00e7\u00e3o das companhias se resume a uma an\u00e1lise quantitativa focada na matem\u00e1tica financeira. Contudo, uma an\u00e1lise completa precisa levar em conta outros ramos de conhecimento como o Direito Societ\u00e1rio no qual est\u00e1 inserida a governan\u00e7a corporativa. J\u00e1 havia abordado essa limita\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise das companhias no artigo <a href=\"https:\/\/www.valor.com.br\/valor-investe\/o-estrategista\/1036124\/analise-fundamentalista-negligencia-o-direito-societario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cA An\u00e1lise fundamentalista negligencia o direito societ\u00e1rio\u201d<\/a> de 2011.<\/p>\n<p>A queda das a\u00e7\u00f5es da Qualicorp prejudicou significativamente a rentabilidade dos fundos de algumas gestoras importantes, indicando que a an\u00e1lise das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 governan\u00e7a da operadora de sa\u00fade n\u00e3o mereceram a devida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o fato relevante divulgado pela companhia, mediante o pagamento de R$ 150 milh\u00f5es e por um prazo de seis anos, Jos\u00e9 Seripieri Filho, presidente e acionista, se obrigou a n\u00e3o competir com os neg\u00f3cios da companhia e manter cerca de 5% do total das a\u00e7\u00f5es da empresa. Atualmente, ele det\u00e9m indiretamente 15% do capital total via L2 Participa\u00e7\u00f5es. Segundo o documento, \u201co mercado de atua\u00e7\u00e3o da companhia est\u00e1 em momento de forte transforma\u00e7\u00e3o e o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o entendeu essencial contratar alinhamento estrat\u00e9gico e de longo prazo com o acionista\u201d e o contrato \u201cagrega significativo valor ao neg\u00f3cio\u201d. \u00a0A opera\u00e7\u00e3o foi aprovada por \u201cunanimidade de todos os membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do acionista que n\u00e3o participou das ou interveio nas discuss\u00f5es\u201d. O valor foi definido, segundo o comunicado, por consultorias externas.<\/p>\n<p>O mercado reagiu negativamente \u00e0 not\u00edcia com queda de 29,4% em apenas um dia ou perda de R$ 1,4 bilh\u00e3o em valor de mercado. Esse valor d\u00e1 uma mostra de quanto vale a governan\u00e7a. Caso o mercado considerasse essa opera\u00e7\u00e3o como corriqueira, sem impacto no valor futuro da empresa, a queda do valor de mercado seria de apenas R$ 150 milh\u00f5es: o montante exato do valor pago ao Presidente. Na realidade, sendo preciso, a queda deveria ser menor, pois essa despesa reduz a base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda, diminuindo o tributo a ser pago. Contudo, como a quebra da governan\u00e7a reduz o valor da empresa no longo prazo dado o conflito de interesses entre minorit\u00e1rios e executivos, o mercado puniu a companhia com uma perda de quase dez vezes maior do que o montante negociado. Alguns especialistas alegaram que o presidente da companhia j\u00e1 possu\u00eda o dever fiduci\u00e1rio de n\u00e3o competir com a companhia da qual era executivo. Logo o pagamento seria descabido. Outros disseram que o acordo embute um pr\u00eamio de controle camuflado.<\/p>\n<p>O formul\u00e1rio de refer\u00eancia das companhias abertas possui um cap\u00edtulo relacionado a transa\u00e7\u00f5es com partes relacionadas (item 14). Companhias comprometidas com a boa governan\u00e7a corporativa, em regra, possuem pol\u00edticas pr\u00f3prias para contratos entre a empresa e partes relacionadas (controladores, empregados, administradores). Contudo boa parte das empresas, no cap\u00edtulo dedicado ao assunto, apenas repetem trechos j\u00e1 definidos na Lei 6.404\/76, indicando um poss\u00edvel descuido sobre o tema. A Qualicorp utiliza um texto padr\u00e3o: \u201cA companhia n\u00e3o possui regras e pr\u00e1ticas formais de realiza\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es com partes relacionadas, pois consideramos que os crit\u00e9rios legais previstos na Lei da Sociedade por A\u00e7\u00f5es s\u00e3o suficientes para coibir abusos entre a companhia, seus eventuais controladores e suas respectivas partes relacionadas\u201d. Uma an\u00e1lise preliminar do formul\u00e1rio de refer\u00eancia j\u00e1 demonstra como as companhias se preocupam dobre o assunto.<\/p>\n<p>O mercado de capitais brasileiro avan\u00e7ou muito no tema governan\u00e7a corporativa nos \u00faltimos anos. Contudo, opera\u00e7\u00f5es recentes &#8211; Hypermarcas, Oi, JBS, OGX e outras &#8211; indicam que temos muito a avan\u00e7ar. Enquanto isso, cabe a n\u00f3s analistas levarmos o tema a s\u00e9rio e n\u00e3o ficarmos preocupados apenas sobre a estimativa do lucro do pr\u00f3ximo trimestre.<\/p>\n<p>Obs: O t\u00edtulo da coluna \u00e9 um trocadilho da frase dita por Mario Henrique Simonsen, ex-Ministro da Fazenda: \u201cA infla\u00e7\u00e3o aleija, mas o c\u00e2mbio mata\u201d.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas a modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As a\u00e7\u00f5es da operadora de sa\u00fade Qualicorp (QUAL3) apresentaram queda de 29,4% na \u00faltima segunda. A companhia assinou um contrato de n\u00e3o competi\u00e7\u00e3o com seu Presidente e acionista indireto no valor de R$ 150 milh\u00f5es por um per\u00edodo de seis anos.\u00a0 Onde os analistas de mercado erraram? 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