{"id":2483,"date":"2018-01-23T20:59:52","date_gmt":"2018-01-23T23:59:52","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2483"},"modified":"2018-01-23T20:59:52","modified_gmt":"2018-01-23T23:59:52","slug":"o-valor-justo-das-firmas-o-risco-ambiental-e-o-teorema-de-coase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2483","title":{"rendered":"O valor justo das firmas, o risco ambiental e o Teorema de Coase"},"content":{"rendered":"<p>A governan\u00e7a corporativa ganhou relev\u00e2ncia nos \u00faltimos vinte anos. Hoje, companhias que insistem em desrespeitar os direitos dos acionistas minorit\u00e1rios veem suas a\u00e7\u00f5es negociarem com desconto em rela\u00e7\u00e3o aos pap\u00e9is de suas concorrentes.<\/p>\n<p>Por outro lado, eventos relacionados ao meio ambiente ainda s\u00e3o pouco estudados pelos investidores. O tema somente entra na agenda quando ocorrem trag\u00e9dias ecol\u00f3gicas como a do rompimento da barragem da mineradora Samarco. A preocupa\u00e7\u00e3o dos analistas passou a ser quantificar a indeniza\u00e7\u00e3o a ser paga pela mineradora Vale, controladora da Samarco. Essa indeniza\u00e7\u00e3o reduz o valor justo da Vale. Esse caso mostra que os investidores somente precificam o risco ambiental \u201ca posteriori\u201d, ou seja, ap\u00f3s o dano ter ocorrido.\u00a0 O teorema de Coase, atribu\u00eddo ao microeconomista brit\u00e2nico Ronald Henry Coase &#8211; pr\u00eamio Nobel em 1991 -, nos ajuda a entender que o risco ambiental deve ser calculado antecipadamente, reduzindo de imediato o valor justo da firma e n\u00e3o apenas quando o dano ambiental j\u00e1 tiver ocorrido.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A agenda de governan\u00e7a corporativa ganhou for\u00e7a no Brasil com a cria\u00e7\u00e3o do Novo mercado pela B3 em 2000. Uma das principais exig\u00eancias era a de que as companhias aderentes ao segmento somente poderiam possuir a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias o que contribuiu para melhorar o alinhamento de interesses entre minorit\u00e1rios e controladores.<\/p>\n<p>Se por um lado, a governan\u00e7a ganhou for\u00e7a, aspectos relacionados ao meio ambiente continuam a n\u00e3o ser levados em conta no c\u00e1lculo do valor justo das companhias. A preocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 emerge em situa\u00e7\u00f5es especiais como no caso da Samarco. O Teorema de Coase contribui para se demonstrar que o risco ambiental deve ser reduzido do valor justo das companhias antes mesmo de os desastres ecol\u00f3gicos acontecerem.<\/p>\n<p>Vamos a um exemplo. Suponha que existam dois agentes na economia: a companhia A e a sociedade. A atividade da companhia gera polui\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas hip\u00f3teses podem surgir:<\/p>\n<p>Hip\u00f3tese 1: Caso n\u00e3o haja restri\u00e7\u00e3o para a empresa poluir, o bem estar dessa economia ser\u00e1 dada pela maximiza\u00e7\u00e3o do lucro da empresa e da fun\u00e7\u00e3o utilidade da sociedade. Vamos supor que a companhia A tenha uma maximiza\u00e7\u00e3o de 20 e a sociedade, de 10. A economia ter\u00e1 um bem estar geral de 30: a soma dos dois agentes.<\/p>\n<p>Hip\u00f3tese 2: Agora suponhamos que a companhia A tenha que pagar uma taxa para n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o superiores a um determinado patamar. Nesse caso, a companhia continua com a mesma fun\u00e7\u00e3o lucro, mas agora tem uma restri\u00e7\u00e3o: o custo de indenizar a sociedade. Logo, o bem estar da economia continua sendo 30, mas a distribui\u00e7\u00e3o do bem estar se altera. Suponha que a taxa seja de 7. Nesse caso, o lucro da companhia passaria a 13 (20 \u2013 7), enquanto o bem estar da sociedade aumentaria para 17 (10 + a indeniza\u00e7\u00e3o paga de 7).<\/p>\n<p>Hip\u00f3tese 3: Nesse caso, a sociedade indeniza a companhia para que ela limite sua produ\u00e7\u00e3o a um determinado patamar. Existe uma compensa\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o do lucro. Caso a indeniza\u00e7\u00e3o seja de 10, o bem estar da companhia subiria para 30, enquanto o da sociedade cairia para zero. Perceba que o bem estar geral permanece 30.<\/p>\n<p>O teorema de Coase sustenta que caso as externalidades (no exemplo, a polui\u00e7\u00e3o) possam ser negociadas e os custos de transa\u00e7\u00e3o sejam baixos, uma barganha entre os agentes levar\u00e1 a um resultado eficiente da economia. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a externalidade tenha propriedade definida, ou seja, a sociedade tem \u201cdireito\u201d ao ar puro ou a companhia tem o \u201cdireito\u201d de produzir sem restri\u00e7\u00f5es. Com essas premissas, o bem estar geral ser\u00e1 sempre o mesmo, mas a distribui\u00e7\u00e3o desse bem estar depender\u00e1 de como se dar\u00e1 a negocia\u00e7\u00e3o entre os agentes. No exerc\u00edcio acima, tivemos tr\u00eas poss\u00edveis resultados.<\/p>\n<p>O exemplo, embora com premissas irrealistas, nos ajuda a entender os impactos sobre o pre\u00e7o da empresa caso se obrigue a companhia a indenizar a sociedade (hip\u00f3tese 2). Imagine que a empresa tenha que adquirir certificados de carbono para n\u00e3o limitar sua produ\u00e7\u00e3o. Esse custo adicional deve reduzir o valor da empresa. Essa queda do valor justo ocorre \u201ca priori\u201d e n\u00e3o apenas ap\u00f3s um desastre ambiental. Dessa forma, o mercado \u201csuperestima\u201d o valor justo das companhias, pois os analistas n\u00e3o precificam o risco ambiental antecipadamente, mas apenas quando o dano ambiental ocorre (caso Samarco). Empresas mais sujeitas a produzirem danos ambientais merecem um desconto. Qual o montante apropriado desse desconto ainda precisa ser mais bem estudado pela teoria de finan\u00e7as. Fica o desafio.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A governan\u00e7a corporativa ganhou relev\u00e2ncia nos \u00faltimos vinte anos. Hoje, companhias que insistem em desrespeitar os direitos dos acionistas minorit\u00e1rios veem suas a\u00e7\u00f5es negociarem com desconto em rela\u00e7\u00e3o aos pap\u00e9is de suas concorrentes. Por outro lado, eventos relacionados ao meio ambiente ainda s\u00e3o pouco estudados pelos investidores. 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