{"id":2468,"date":"2017-11-21T19:55:30","date_gmt":"2017-11-21T22:55:30","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2468"},"modified":"2017-11-21T19:55:49","modified_gmt":"2017-11-21T22:55:49","slug":"a-alma-imoral-das-start-ups","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2468","title":{"rendered":"A alma imoral das \u201cstart ups\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O rabino Nilton Bonder, em seu livro \u201cA Alma Imoral\u201d, mostra que o ser humano luta constantemente entre duas for\u00e7as antag\u00f4nicas: a tradi\u00e7\u00e3o e a trai\u00e7\u00e3o. A primeira leva o homem a privilegiar a rotina, o antigo. \u00c9 seu instinto de preserva\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo sua alma \u00e9 tentada a romper com o passado, buscando o aprimoramento, a evolu\u00e7\u00e3o. As \u201cstart ups\u201d representam essa faceta revolucion\u00e1ria, traidora. Contudo, o desafio para entend\u00ea-las \u00e9 enorme.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Participei na segunda semana de novembro do 1\u00b0Encontro de Valora\u00e7\u00e3o de Start ups, realizado pela Universidade de Vi\u00e7osa e que reuniu consultorias de avalia\u00e7\u00e3o, financiadores como a Finep, gestores de fundos e escrit\u00f3rios de advocacia especializados no segmento.<\/p>\n<p>O primeiro desafio \u00e9 como conceituar uma \u201cstart up\u201d? Raphael Mielle da Kick Ventures cita algumas caracter\u00edsticas necess\u00e1rias para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos investidores: i) resolver um problema significativo, ii) ter resultados recorrentes, iii) ser escal\u00e1vel, iv) ser rent\u00e1vel e v) causar impacto social. \u00a0O Uber, uma antiga \u201cstart up\u201d, preencheu esses atributos. O aplicativo resolveu um problema significativo: a locomo\u00e7\u00e3o das pessoas. Possui uma receita recorrente derivada da taxa cobrada sobre as viagens. Consegue crescer com um investimento marginal pequeno. \u00c9 rent\u00e1vel, pois suas receitas crescem a um ritmo superior \u00e0s despesas. E, por fim, causou impacto. Basta ver a disputa na C\u00e2mara e no Senado sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Uma dica dada por Mielle \u00e9 a de que a empresa nascente deve, em primeiro lugar, buscar ser a melhor do seu bairro, superando a concorr\u00eancia local. A isso ele chamou de \u201cpequeno monop\u00f3lio\u201d. Ap\u00f3s atingir essa meta, a companhia est\u00e1 apta a se expandir geograficamente. Isso vale tanto para uma pizzaria como para o Facebook. Em seus prim\u00f3rdios, a rede social (chamada na \u00e9poca de Facemash) punha os estudantes de Harvard em dupla na tela para que se escolhesse qual dos dois seria o mais atraente. Esse inocente jogo gerou uma elevada audi\u00eancia logo nas primeiras horas, indicando que a aceita\u00e7\u00e3o do site pelos estudantes de Harvard poderia al\u00e7\u00e1-lo a voos maiores.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 no \u201cvaluation\u201d que a pol\u00eamica aflora. Empresas maduras podem ser avaliadas de algumas maneiras, destacando-se a an\u00e1lise por m\u00faltiplos e por fluxo de caixa descontado. Mas como utilizar m\u00faltiplos para \u201cstart ups\u201d ainda sem resultados positivos (ou se positivos, imateriais) e cujo patrim\u00f4nio \u00e9 pequeno. Uma alternativa \u00e9 utilizar o m\u00e9todo \u201cventure capital\u201d desenvolvido por William Sahlman, professor da Harvard Business School. Por ele, estima-se o lucro do ano em que o investidor deseja sair da companhia. Depois se traz esse montante a valor presente descontado a uma taxa bem elevada em decorr\u00eancia do risco do neg\u00f3cio. Por fim, multiplica-o pelo m\u00faltiplo atual da ind\u00fastria na qual a companhia est\u00e1 inserida.<\/p>\n<p>No papel, o c\u00e1lculo \u00e9 irretoc\u00e1vel. Mas quem garante que a empresa vingar\u00e1? Mesmo usando uma taxa de desconto elevada de 30% ou mais, o risco ainda permanece ali.<\/p>\n<p>Por isso, a Finep, empresa p\u00fablica de fomento \u00e0 ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o desistiu de avaliar empresas nascentes em um primeiro momento. O valor aportado inicial representa apenas uma op\u00e7\u00e3o de compra (call). O percentual que a Finep ter\u00e1 no neg\u00f3cio somente ser\u00e1 definido \u201ca posteriori\u201d, quando a empresa possuir porte suficiente para se submeter a um \u201cvaluation\u201d tradicional. O valor justo alcan\u00e7ado \u00e9 ent\u00e3o deflacionado por IPCA + 10% ao ano pelo tempo decorrido desde o aporte inicial. O dinheiro investido ent\u00e3o \u00e9 comparado ao valor deflacionado, chegando-se finalmente a participa\u00e7\u00e3o da Finep na companhia.<\/p>\n<p>Outro aspecto que influencia a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 o grau da informalidade dessas companhias. O advogado F\u00e1bio Cend\u00e3o citou alguns erros cometidos pelos empres\u00e1rios: (i) enquadramento do produto em uma categoria diversa da que deveria para fins tribut\u00e1rios, (ii) empregados informais, (iii) confus\u00e3o entre bens dos s\u00f3cios e da sociedade, (iv) uso indevido de dados dos concorrentes, (v) pr\u00e1ticas abusivas contra os consumidores e outros. Essas conting\u00eancias podem reduzir o valor da empresa e at\u00e9 mesmo inviabilizar a negocia\u00e7\u00e3o de venda ou incorpora\u00e7\u00e3o a outra empresa.<\/p>\n<p>Contudo, uma das grandes quest\u00f5es na avalia\u00e7\u00e3o de \u201cstart ups\u201d, em especial as de tecnologia, reside em como quantificar o capital intelectual. As medidas tradicionais de \u201cvaluation\u201d passam ao largo dessa quest\u00e3o. Tratei desse tema no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/contratar-o-einstein-e-custo-ou-investimento\/\">Contratar o Einstein \u00e9 custo ou investimento?<\/a>\u201d, de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p>Empresas tradicionais e \u201cstart ups\u201d devem coexistir, influenciando-se mutuamente e transformando-se continuamente. As \u201cstart ups\u201d s\u00e3o fundamentais para a inova\u00e7\u00e3o e o incremento da produtividade. Sem elas, a economia estagnar\u00e1. Concluiremos enfim que a tradi\u00e7\u00e3o sem a trai\u00e7\u00e3o significa a morte.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rabino Nilton Bonder, em seu livro \u201cA Alma Imoral\u201d, mostra que o ser humano luta constantemente entre duas for\u00e7as antag\u00f4nicas: a tradi\u00e7\u00e3o e a trai\u00e7\u00e3o. A primeira leva o homem a privilegiar a rotina, o antigo. \u00c9 seu instinto de preserva\u00e7\u00e3o. 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