{"id":2455,"date":"2017-10-04T10:10:27","date_gmt":"2017-10-04T13:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2455"},"modified":"2017-10-04T10:10:27","modified_gmt":"2017-10-04T13:10:27","slug":"a-duvida-de-um-pequeno-empresario-quanto-vale-minha-firma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2455","title":{"rendered":"A d\u00favida de um pequeno empres\u00e1rio: quanto vale minha firma?"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente um pequeno empres\u00e1rio com nove lojas me perguntou: \u201cQuanto vale a minha empresa?\u201d Ele sabe quanto fatura, quanto retira mensalmente para seu sustento, mas n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de quanto vale a sua companhia. Desconhece o valor do seu ganha-p\u00e3o, embora saiba quanto custa seu carro e seu apartamento. Ser\u00e1 t\u00e3o dif\u00edcil calcular o valor de um neg\u00f3cio? Ser\u00e1 que as m\u00e9tricas de avalia\u00e7\u00e3o utilizadas para se calcular o valor justo das empresas negociadas em bolsa servem para estimarmos o pre\u00e7o de uma pequena empresa?<\/p>\n<p>Sim, essas ferramentas podem ser \u00fateis para se avaliar um pequeno neg\u00f3cio. Primeiro, vamos entender como tem se desenvolvido o conceito de valor ao longo do tempo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Antigamente, a \u00f3tica era patrimonialista. Fazia-se o levantamento dos im\u00f3veis e equipamentos, deduziam-se as obriga\u00e7\u00f5es e d\u00edvidas e a diferen\u00e7a correspondia ao valor do neg\u00f3cio. Na contabilidade, esse resto \u00e9 chamado de patrim\u00f4nio l\u00edquido. Para empresas negociadas em bolsa, pode-se comparar o valor de mercado da empresa (n\u00famero de a\u00e7\u00f5es multiplicado pela cota\u00e7\u00e3o) com o patrim\u00f4nio l\u00edquido. Esse m\u00faltiplo \u00e9 chamado P\/VPA (cota\u00e7\u00e3o dividido pelo valor patrimonial por a\u00e7\u00e3o). Se essa divis\u00e3o resultar em um n\u00famero muito acima de um, a a\u00e7\u00e3o em bolsa estaria cara. Caso contr\u00e1rio, barata. A l\u00f3gica desse racioc\u00ednio \u00e9 a de que se comprarmos uma a\u00e7\u00e3o pagando um valor menor do que o ativo l\u00edquido, estar\u00edamos adquirindo-o por um pre\u00e7o menor do que ele vale. Mas essa m\u00e9trica tem perdido prest\u00edgio, pois apresenta inconsist\u00eancias. E se os ativos n\u00e3o estiverem contabilizados a valor de mercado? Imagine que o valor cont\u00e1bil dos ativos esteja muito superior ao valor de mercado. O m\u00faltiplo pode estar inferior a um, mas uma reavalia\u00e7\u00e3o dos ativos poderia facilmente tornar o indicador superior a um. Contudo, essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica restri\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo. Na era do conhecimento, a contabilidade ainda n\u00e3o deu respostas de como se avaliar o capital intelectual representado pelos empregados. (J\u00e1 abordei esse tema no post \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/contratar-o-einstein-e-custo-ou-investimento\/\">Contratar o Einstein \u00e9 custo ou investimento?<\/a>\u201d).<\/p>\n<p>Logo, pela \u00f3tica cont\u00e1bil, o valor do neg\u00f3cio do amigo empres\u00e1rio corresponderia \u00e0 soma dos seus ativos &#8211; m\u00e1quinas e terrenos \u2013, diminu\u00eddo de suas d\u00edvidas (caso houvesse).<\/p>\n<p>Contudo, a ci\u00eancia financeira evoluiu. Hoje o valor da empresa n\u00e3o est\u00e1 mais atrelado ao custo de aquisi\u00e7\u00e3o dos ativos. Se o empres\u00e1rio pagou caro ou barato \u00e9 um problema que ficou no passado. Interessa agora o fluxo de caixa que esse ativo trar\u00e1 no futuro. A\u00ed entra a m\u00e9trica do fluxo de caixa descontado que \u00e9 a mais utilizada atualmente para se avaliar um neg\u00f3cio. Ela n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel, mas contribui para se ter uma no\u00e7\u00e3o sobre quanto o empreendimento vale. Projetando-se as receitas, as despesas e os investimentos e trazendo essa gera\u00e7\u00e3o de caixa a valor presente por uma determinada taxa de desconto (n\u00e3o se esque\u00e7a de que R$ 100 hoje vale mais do que os mesmo R$ 100 no pr\u00f3ximo ano), ter\u00edamos o valor da companhia.<\/p>\n<p>O valor do neg\u00f3cio do nosso amigo empres\u00e1rio pelo fluxo de caixa descontado seria a gera\u00e7\u00e3o de caixa de suas nove lojas trazida a valor presente.<\/p>\n<p>O fluxo de caixa descontado \u00e9 mera matem\u00e1tica financeira. Por isso, a sensibilidade do analista \u00e9 importante: qual taxa de desconto usar? Quais as premissas para o crescimento da receita? Quanto ser\u00e1 necess\u00e1rio investir para as lojas continuarem gerando caixa? O quadro de pessoal precisar\u00e1 ser expandido para manter o crescimento? Faz sentido calcular um valor na perpetuidade?<\/p>\n<p>Posso adiantar que a empresa do empreendedor amigo pode ter dois valores. O primeiro leva em conta apenas o fluxo de caixa gerado pelas nove lojas. Outro c\u00e1lculo pode considerar a abertura de novas lojas. Indaga\u00e7\u00f5es devem ser feitas sobre essa expans\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>Ser\u00e1 feito via aquisi\u00e7\u00f5es ou organicamente?<\/li>\n<li>A empresa possui capacidade financeira para essa empreitada? Os recursos ser\u00e3o pr\u00f3prios, d\u00edvida banc\u00e1ria ou advindos de franquias?<\/li>\n<li>A administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 preparada operacionalmente para o crescimento?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por fim, outra m\u00e9trica seria utilizar o m\u00faltiplo FV\/Ebitda (valor da firma dividido pela gera\u00e7\u00e3o de caixa operacional) de empresas listadas em bolsa com atua\u00e7\u00e3o no mesmo ramo de neg\u00f3cio do empres\u00e1rio amigo. Como a empresa listada est\u00e1 acess\u00edvel a qualquer investidor, pois possui a\u00e7\u00f5es em bolsa, \u00e9 justo que seu m\u00faltiplo mere\u00e7a um pr\u00eamio sobre o de nosso amigo. Mais uma vez entra a sensibilidade do analista para definir qual ser\u00e1 o pr\u00eamio justo e para discernir se o Ebitda reportado pela empresa aberta \u00e9 compar\u00e1vel com o da empresa do amigo.<\/p>\n<p>O mercado acion\u00e1rio \u00e9 uma fonte de aprendizado para os pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios espalhados pelo pa\u00eds. Resta difundir esses conhecimentos. Ganhariam esses empreendedores e a economia brasileira.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente um pequeno empres\u00e1rio com nove lojas me perguntou: \u201cQuanto vale a minha empresa?\u201d Ele sabe quanto fatura, quanto retira mensalmente para seu sustento, mas n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de quanto vale a sua companhia. Desconhece o valor do seu ganha-p\u00e3o, embora saiba quanto custa seu carro e seu apartamento. 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