{"id":2438,"date":"2017-08-02T23:46:21","date_gmt":"2017-08-03T02:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2438"},"modified":"2017-08-03T09:44:37","modified_gmt":"2017-08-03T12:44:37","slug":"o-equilibrio-de-nash-em-vale-e-fibria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2438","title":{"rendered":"O Equil\u00edbrio de Nash em Vale e Fibria"},"content":{"rendered":"<p>Fibria e Vale s\u00e3o duas empresas brasileiras de classe mundial. A primeira \u00e9 a maior produtora de celulose do mundo, insumo para a produ\u00e7\u00e3o de papel, com capacidade instalada anual de oito milh\u00f5es de toneladas. J\u00e1 a Vale \u00e9 uma das maiores produtoras de min\u00e9rio de ferro do mundo. A oferta tanto de min\u00e9rio de ferro quanto de celulose t\u00eam aumentado nos \u00faltimos anos. Empresas que produzem commodities possuem caracter\u00edsticas peculiares que as diferenciam de outras ind\u00fastrias como a de varejo. Assim, qual ser\u00e1 o impacto dessa nova oferta sobre o pre\u00e7o dessas commodities? Como se forma o pre\u00e7o desses produtos? A prov\u00e1vel consolida\u00e7\u00e3o do setor de celulose pode impactar o pre\u00e7o?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A microeconomia classifica os mercados em tr\u00eas tipos: competitivo, oligopolista e monopolista. Empresas de varejo s\u00e3o empresas do primeiro segmento. Dada a multiplicidade de vendedores, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00e9 dada pela intera\u00e7\u00e3o entre demanda e oferta. Os participantes n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para ditar os pre\u00e7os. O aumento ou decr\u00e9scimo da oferta de um vendedor n\u00e3o possui for\u00e7a para afetar o pre\u00e7o. O pre\u00e7o de equil\u00edbrio obedece com rigor ao balan\u00e7o entre oferta e demanda.<\/p>\n<p>J\u00e1 Vale e Fibria atuam em mercados com menor n\u00famero de vendedores, por isso chamado de oligopolista. No mercado de min\u00e9rio, as quatro maiores &#8211; Vale, Rio Tinto, BHP e Fortscue &#8211; dominam quase 70% da produ\u00e7\u00e3o mundial e, no de celulose, as dez maiores prevalecem. O pre\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 ditado pelo confronto entre demanda e oferta. Contudo, como os vendedores s\u00e3o poucos, ajustes na quantidade ofertada podem interferir na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, situa\u00e7\u00e3o distinta da do mercado competitivo.<\/p>\n<p>Projetos de expans\u00e3o em min\u00e9rio de ferro e em celulose elevaram, nos \u00faltimos anos, a capacidade de produ\u00e7\u00e3o dessas ind\u00fastrias, o que poderia, em tese, pressionar o pre\u00e7o dessas commodities. Vale com investimentos em Caraj\u00e1s e Fibria com a f\u00e1brica Horizonte II tamb\u00e9m contribu\u00edram para esse aumento da oferta. Contudo, a demanda mais est\u00e1vel na China tem mantido tanto o pre\u00e7o da celulose como o do min\u00e9rio em patamares elevados. O pre\u00e7o da celulose sobe 32% no ano e o do min\u00e9rio se encontra ao redor de US$ 70, pre\u00e7o que muitos consideram excessivo. Mas h\u00e1 outro ponto.<\/p>\n<p>Na divulga\u00e7\u00e3o do resultado do segundo trimestre, tanto Vale quanto Fibria sugeriram a possibilidade de administrar a produ\u00e7\u00e3o caso percebam que a quantidade ofertada esteja excedendo a capacidade de absor\u00e7\u00e3o do mercado. O objetivo \u00e9 evitar que o pre\u00e7o das commodities se deprecie. O oligopolista possui alguma interfer\u00eancia sobre o pre\u00e7o ao contr\u00e1rio do que ocorre no mercado competitivo.<\/p>\n<p>Em teoria, dada a demanda, empresas oligopolistas podem buscar um consenso sobre a quantidade total a ser ofertada de forma a maximizar o lucro de cada empresa. Contudo, organismos de defesa da concorr\u00eancia impedem ou limitam essa possibilidade. Mas mesmo que pudessem determinar conjuntamente a oferta total para maximizar o lucro individual, existe o interesse pr\u00f3prio de cada uma para n\u00e3o cumprir o acordo. Uma das companhias poderia obter lucro maior, ofertando mais do que o estipulado inicialmente. O pre\u00e7o cairia. Essa estrat\u00e9gia aumentaria o lucro da primeira empresa a descumprir o acordo, mas reduziria o das concorrentes. Contudo, essas n\u00e3o ficariam paradas e tamb\u00e9m elevariam sua produ\u00e7\u00e3o, comprimindo ainda mais o pre\u00e7o. Essas intera\u00e7\u00f5es ir\u00e3o at\u00e9 um ponto no qual n\u00e3o ser\u00e1 mais interessante a nenhum \u201cplayer\u201d se mover. O novo equil\u00edbrio ter\u00e1 uma quantidade total ofertada acima da do acordo inicial e um pre\u00e7o menor. O lucro individual ser\u00e1 inferior ao do acordo inicial. Isso \u00e9 chamado na literatura de \u201cEquil\u00edbrio de Nash\u201d em homenagem a John Nash, premio Nobel de Economia. A situa\u00e7\u00e3o descrita n\u00e3o \u00e9 mera curiosidade te\u00f3rica. Basta ler o notici\u00e1rio recente sobre o an\u00fancio do corte de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo proposto pela OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo), mas que j\u00e1 vem sendo desrespeitado por alguns membros como o Equador.<\/p>\n<p>Em resumo, o pre\u00e7o do min\u00e9rio de ferro e o da celulose depende do balan\u00e7o entre demanda e oferta. Mas os agentes podem interferir na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o ao reduzir ou aumentar a produ\u00e7\u00e3o, tomando decis\u00f5es individuais. Esses n\u00e3o s\u00e3o passivos como os vendedores do mercado competitivo. \u00a0A prov\u00e1vel consolida\u00e7\u00e3o do setor de celulose fortalecer\u00e1 ainda mais o poder das companhias na determina\u00e7\u00e3o da oferta. Olho, portanto, na conclus\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es da venda da Eldorado e as estrat\u00e9gias de Fibria e Suzano nesse novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fibria e Vale s\u00e3o duas empresas brasileiras de classe mundial. A primeira \u00e9 a maior produtora de celulose do mundo, insumo para a produ\u00e7\u00e3o de papel, com capacidade instalada anual de oito milh\u00f5es de toneladas. J\u00e1 a Vale \u00e9 uma das maiores produtoras de min\u00e9rio de ferro do mundo. 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