{"id":2369,"date":"2017-04-18T23:25:28","date_gmt":"2017-04-19T02:25:28","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2369"},"modified":"2017-04-19T08:46:19","modified_gmt":"2017-04-19T11:46:19","slug":"a-remuneracao-dos-executivos-e-o-preco-da-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2369","title":{"rendered":"A remunera\u00e7\u00e3o dos executivos e o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O que afeta o pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es? A resposta \u00e9 longa. Primeiro, posso mencionar os resultados da companhia. O pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o e o lucro operacional s\u00e3o estreitamente correlacionados. Segundo, por interm\u00e9dio da formula de Gordon, sabemos que a pol\u00edtica de dividendos tamb\u00e9m contribui para o desempenho da a\u00e7\u00e3o. Eu poderia indicar v\u00e1rias outros itens que impactam o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o, mas a resposta seria incompleta sem mencionar a governan\u00e7a corporativa.<\/p>\n<p>Mas como medi-la tendo em vista que a defini\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a corporativa reside em termos abstratos como transpar\u00eancia, \u201ccommitment\u201d, \u201cdisclosure\u201d e \u00e9tica? \u00c9 uma tarefa dura e, infelizmente, n\u00e3o existe um manual \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O alinhamento entre executivos e acionistas, por exemplo, \u00e9 pedra basilar da governan\u00e7a corporativa. Mas o problema emerge de novo. Como se mede esse alinhamento? Uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 pesquisar a remunera\u00e7\u00e3o dos executivos. A meritocracia deve ser o principal instrumento de avalia\u00e7\u00e3o dos executivos. A remunera\u00e7\u00e3o deve seguir os resultados operacionais. Mas isso tem acontecido?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Acionistas ativos t\u00eam mostrado preocupa\u00e7\u00e3o com o tema. A gestora carioca Dynamo mostrou desconforto com a remunera\u00e7\u00e3o total dos executivos da BM&amp;FBovespa (BVMF3) em uma de suas cartas: \u201cAo longo do caminho, a BVMF parece ter sucumbido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o frequente entre as companhias de capital pulverizado que \u00e9 o de implementar um pacote de remunera\u00e7\u00e3o generoso para seus executivos\u201d. O resultado foi a indica\u00e7\u00e3o de dois membros independentes ao Conselho de Administra\u00e7\u00e3o em 2017. Recentemente, acionistas da CVC (CVCB3) reclamaram da remunera\u00e7\u00e3o a ser paga ao Diretor Financeiro e ao Presidente. A companhia acabou retirando esse item da pauta da Assembleia.<\/p>\n<p>Estudo feito por Oscar Malvessi e Jo\u00e3o Lins publicado na revista Ri em junho de 2015 mostra que na maioria das 62 empresas brasileiras analisadas existe descasamento entre a remunera\u00e7\u00e3o dos diretores e a gera\u00e7\u00e3o de valor para a empresa.<\/p>\n<p>Analisei a remunera\u00e7\u00e3o total (fixa mais vari\u00e1vel) de sete incorporadoras brasileiras desde 2011.\u00a0 Os recursos foram pagos aos conselheiros de administra\u00e7\u00e3o e diretores executivos. Depois, dividi o Ebitda pela remunera\u00e7\u00e3o total e, em seguida, calculei a m\u00e9dia desse indicador em cada ano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/remuneracao-executivos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2370\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/remuneracao-executivos.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"237\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2017\/04\/remuneracao-executivos.jpg 576w, wp-content\/uploads\/2017\/04\/remuneracao-executivos-300x123.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa m\u00e9trica merece uma ressalva, pois companhias menores possuem mais dificuldades de captar bons executivos. Se tentarem pagar montantes similares aos pagos pelas empresas maiores tendem a apresentar n\u00edveis de remunera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a seus resultados superiores aos das grandes companhias. Companhias menores, para superar essa desvantagem, devem possuir uma diretoria mais enxuta de forma a remunerar melhor cada membro.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia entre Ebitda e compensa\u00e7\u00e3o foi de 2,6% em 2011, mas, com a queda dos resultados decorrentes principalmente da reavalia\u00e7\u00e3o dos ativos e distratos, vem crescendo nos \u00faltimos tr\u00eas anos: 4,5% em 2013, 4,2% em 2014 e 4,6% em 2016. Isso mostra que a remunera\u00e7\u00e3o consolidada manteve-se ao menos est\u00e1vel enquanto o resultado desabava.<\/p>\n<p>Gafisa e Even pagaram em todos os anos mais do que a m\u00e9dia das sete companhias apesar de resultados inferiores aos de outros competidores. Gafisa chegou a apresentar Ebitda negativo em dois anos.\u00a0 Desde 2012, a remunera\u00e7\u00e3o anual dos executivos da Even tem sido praticamente constante em R$ 38 milh\u00f5es independente do n\u00edvel do Ebitda. Esse foi de R$ 404 milh\u00f5es em 2012, R$ 229 milh\u00f5es em 2014, R$ 306 milh\u00f5es em 2015 e R$ 194 milh\u00f5es ano passado. \u00a0Eztec pagou acima da m\u00e9dia do mercado nos \u00faltimos tr\u00eas anos enquanto seu Ebitda declinou 68% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>No lado oposto, a remunera\u00e7\u00e3o de Cyrela tem estado em linha com os resultados. Ela pagou R$ 23 milh\u00f5es em 2013, mas desembolsou \u201capenas\u201d R$ 12 milh\u00f5es em 2016, v\u00edtima dos resultados ruins. Seus pagamentos t\u00eam ficado abaixo da m\u00e9dia ao longo do per\u00edodo observado.<\/p>\n<p>MRV tem apresentado remunera\u00e7\u00e3o absoluta crescente ao longo dos anos. Contudo, isso n\u00e3o parece ser um problema, pois os resultados t\u00eam crescido de forma consistente ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>Por fim, Helbor e Direcional s\u00e3o as mais frugais em termos de remunera\u00e7\u00e3o absoluta nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Em somente um ano, 2016, Helbor distribuiu acima da m\u00e9dia do setor.<\/p>\n<p>Em resumo, se os bolsos dos executivos est\u00e3o cheios e os dos acionistas vazios, alguma coisa errada est\u00e1 acontecendo. Isto pode ser evitado com regras e princ\u00edpios de governan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que afeta o pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es? A resposta \u00e9 longa. Primeiro, posso mencionar os resultados da companhia. O pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o e o lucro operacional s\u00e3o estreitamente correlacionados. Segundo, por interm\u00e9dio da formula de Gordon, sabemos que a pol\u00edtica de dividendos tamb\u00e9m contribui para o desempenho da a\u00e7\u00e3o. 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