{"id":2360,"date":"2017-03-08T07:10:50","date_gmt":"2017-03-08T10:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2360"},"modified":"2017-03-08T07:10:50","modified_gmt":"2017-03-08T10:10:50","slug":"ate-quando-dura-o-namoro-do-mercado-com-a-bolsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2360","title":{"rendered":"At\u00e9 quando dura o namoro do mercado com a bolsa?"},"content":{"rendered":"<p>Iniciativas importantes para a disciplina fiscal como o congelamento dos gastos reais do governo federal e o in\u00edcio do debate das reformas da previd\u00eancia e trabalhista deram um f\u00f4lego ao mercado acion\u00e1rio brasileiro. Assim, uma pergunta se imp\u00f5e: com a recente alta, a bolsa brasileira ficou cara?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desde 2012, atualizo, periodicamente, um gr\u00e1fico que vi originalmente em um relat\u00f3rio da Santander Corretora. Primeiro, divido o Ibovespa atual pela sua m\u00e9dia m\u00f3vel dos \u00faltimos seis meses. A regi\u00e3o compreendida acima da m\u00e9dia do per\u00edodo mais um desvio padr\u00e3o significa que o mercado est\u00e1 supercomprado. Nessa zona, uma for\u00e7a vendedora pode ser esperada o que proporcionaria um recuo do \u00edndice. No outro oposto, a \u00e1rea abaixo da m\u00e9dia menos um desvio padr\u00e3o indica o inverso: os investidores est\u00e3o supervendidos e o \u00edndice poderia se recuperar caso haja um movimento de compra por parte dos investidores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2361\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo.jpg\" alt=\"\" width=\"865\" height=\"356\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo.jpg 865w, wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo-300x123.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo-768x316.jpg 768w, wp-content\/uploads\/2017\/03\/ibovespa-topo-624x257.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 865px) 100vw, 865px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O gr\u00e1fico indica momentos marcantes como a crise de 2008 e o rebaixamento pela S&amp;P do grau da d\u00edvida soberana americana em 2011. Durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, o \u00edndice oscilou basicamente entre a m\u00e9dia mais um desvio padr\u00e3o e a m\u00e9dia menos um desvio padr\u00e3o, at\u00e9 que, no in\u00edcio de 2014, o mercado desanimado com os rumos da pol\u00edtica econ\u00f4mica levou o Ibovespa a transitar na regi\u00e3o inferior. Por um breve per\u00edodo, o mercado demonstrou otimismo, durante a campanha presidencial, quando Marina Silva e A\u00e9cio Neves mostraram possibilidades de derrotar a candidata petista. Contudo, a confirma\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria de Dilma fez o Ibovespa recuar acentuadamente. A nomea\u00e7\u00e3o de Joaquim Levy como ministro da Fazenda ainda deu algum f\u00f4lego \u00e0 bolsa, mas conforme o tempo passava e claro ficava que a pol\u00edtica econ\u00f4mica permaneceria inconsistente, o Ibovespa voltou a gravitar na \u00e1rea inferior do gr\u00e1fico. Essa trajet\u00f3ria descendente s\u00f3 foi revertida quando o impeachment da ex-presidente foi confirmado. Desde ent\u00e3o o \u00edndice tem transitado pr\u00f3ximo da m\u00e9dia mais um desvio padr\u00e3o. Em 3 de mar\u00e7o, o Ibovespa fechou em 66.785, 7,7% acima da m\u00e9dia dos \u00faltimos seis meses, mas ainda inferior a m\u00e9dia mais um desvio padr\u00e3o de 11,3%.<\/p>\n<p>Dois pontos devem ser destacados quando se fala desse gr\u00e1fico. Primeiro, existe um universo de a\u00e7\u00f5es de companhias que n\u00e3o fazem parte do Ibovespa. Logo, o estudo acima n\u00e3o abrange essas empresas. E segundo, a an\u00e1lise acima leva em conta o padr\u00e3o demonstrado pelo mercado no passado recente. Isso n\u00e3o significa que o Ibovespa possa apresentar nova din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Diferente do que ocorreu entre 2002 e 2010, a economia brasileira voltou a ser dependente da pol\u00edtica. E como a economia afeta a sa\u00fade financeira das empresas, a bolsa de valores indiretamente tamb\u00e9m \u00e9 afetada pela pol\u00edtica. Podemos estar no in\u00edcio de um per\u00edodo de forte expans\u00e3o da economia se as medidas fiscais respons\u00e1veis forem confirmadas e seguidas pelo novo governo que assumir\u00e1 em 2019. A cont\u00ednua desalavancagem dos indiv\u00edduos e das empresas, a manuten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ao centro da meta, a volta da solv\u00eancia da d\u00edvida soberana e a consequente queda dos juros podem pavimentar um forte crescimento sustentado pelo investimento e consumo privados.<\/p>\n<p>Por outro lado, caso n\u00e3o haja a aprova\u00e7\u00e3o de tais medidas ou o governante eleito na pr\u00f3xima disputa adote uma pol\u00edtica fiscal inconsistente como a da antiga presidente, a bolsa e os demais ativos brasileiros ter\u00e3o forte deprecia\u00e7\u00e3o, enquanto o d\u00f3lar apresentar\u00e1 forte aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as alternativas internas. \u00c9 claro que devem ser casadas com o cen\u00e1rio externo que, por ora, apresenta-se benigno. A China e os Estados Unidos ensaiam continuar crescendo a taxas satisfat\u00f3rias. A Europa d\u00e1 sinais de sair da recess\u00e3o com a Alemanha apresentando infla\u00e7\u00e3o superior a 2%. Isso tem se refletido em uma rela\u00e7\u00e3o de troca positiva entre os pre\u00e7os dos bens que exportamos e os dos que importamos, favorecendo nossa balan\u00e7a comercial conforme o Valor Econ\u00f4mico estampou em sua manchete na \u00faltima semana.<\/p>\n<p>Hoje, o mercado namora o primeiro cen\u00e1rio, por isso, o Ibovespa se encontra pr\u00f3ximo \u00e0 m\u00e9dia mais um desvio padr\u00e3o. \u00c9 o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel, mas nada que o desenrolar da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato ou a senten\u00e7a da chapa Dilma-Temer ou a ainda incerta gest\u00e3o de Donald Trump n\u00e3o possam desmenti-lo.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas importantes para a disciplina fiscal como o congelamento dos gastos reais do governo federal e o in\u00edcio do debate das reformas da previd\u00eancia e trabalhista deram um f\u00f4lego ao mercado acion\u00e1rio brasileiro. Assim, uma pergunta se imp\u00f5e: com a recente alta, a bolsa brasileira ficou cara?<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,8],"tags":[77],"class_list":["post-2360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise-de-acoes","category-conjuntura","tag-ibovespa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2360"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2362,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2360\/revisions\/2362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategista.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}