{"id":2329,"date":"2017-01-03T20:49:06","date_gmt":"2017-01-03T23:49:06","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2329"},"modified":"2017-01-05T09:24:02","modified_gmt":"2017-01-05T12:24:02","slug":"por-que-a-gestao-das-cias-esta-mais-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2329","title":{"rendered":"Por que a gest\u00e3o das cias est\u00e1 mais dif\u00edcil?"},"content":{"rendered":"<p>O ambiente econ\u00f4mico atual \u00e9 mais din\u00e2mico e, por consequ\u00eancia, mais complexo. Mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas disruptivas incomodam modelos de neg\u00f3cios antes inabal\u00e1veis. A gest\u00e3o est\u00e1 mais complicada n\u00e3o somente por causa da tecnologia. O ambiente regulat\u00f3rio tamb\u00e9m se deteriorou no Brasil nos \u00faltimos anos. Essas mudan\u00e7as dificultam tamb\u00e9m o trabalho de an\u00e1lise, tornando o investimento em companhias mais arriscado. V\u00e1rios exemplos comprovam como o ambiente se tornou mais desafiador aos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Vivemos em um mundo obcecado por prazeres instant\u00e2neos. Isso vale para os indiv\u00edduos e para as companhias. A busca por resultados de curto prazo \u00e9 ditada pelo mercado acion\u00e1rio, monitorando a administra\u00e7\u00e3o das companhias trimestre a trimestre. Como reflexo o tempo de perman\u00eancia dos presidentes executivos (CEOs) vem se reduzindo ao longo do tempo. Nos pa\u00edses desenvolvidos, o CEO conseguia se segurar no cargo por cerca de 11 anos, em m\u00e9dia, h\u00e1 uma d\u00e9cada. Hoje esse tempo se reduziu para 8. No Brasil, cuja economia \u00e9 mais vol\u00e1til, o trabalho do presidente dura, em m\u00e9dia, apenas quatro anos. Esses dados s\u00e3o do \u201cEstudo Anual de CEOs, Governan\u00e7a e Sucesso\u201d, da consultoria Strategy&amp;.<\/p>\n<p>A tecnologia responde por parte da instabilidade. A concorr\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o vem apenas dos competidores tradicionais. Que o digam as companhias telef\u00f4nicas que s\u00e3o pressionadas por aplicativos como WhatsApp e Skype. As ind\u00fastrias da m\u00fasica e da m\u00eddia hoje s\u00e3o c\u00f3pias an\u00e3s de si mesmas, exemplares diminutos de passados gloriosos. E h\u00e1 mais por vir: hot\u00e9is e at\u00e9 mesmo o chofer de taxi j\u00e1 s\u00e3o pressionadas por aplicativos. Muitos consideram que os bancos ser\u00e3o os pr\u00f3ximos, v\u00edtimas das \u201cfintechs\u201d.<\/p>\n<p>Falando em finan\u00e7as, as empresas utilizam cada vez mais produtos financeiros, como por exemplo os derivativos. Essa estrat\u00e9gia pode ser saud\u00e1vel, mas pode gerar volatilidade aos resultados. Algumas erram na dosagem e acabam sendo aniquiladas. Quem n\u00e3o se lembra da Sadia e da Aracruz.<\/p>\n<p>Contudo, as empresas n\u00e3o financeiras dependem cada vez mais de suas atividades financeiras para auferirem lucros. \u201cEm especial nos Estados Unidos, as empresas n\u00e3o financeiras aumentaram em muito seus ativos financeiros. A propor\u00e7\u00e3o de ativos financeiros para ativos n\u00e3o financeiros pertencentes a firmas n\u00e3o financeiras aumentou gradualmente de 30% em 1950 para 40% em 1982. A partir da\u00ed disparou, chegando a 100% em 2001. Desde ent\u00e3o caiu para 82% em 2008. Da\u00ed voltou a subir de maneira abrupta em 2009, atingindo um novo patamar de 104%, se estabilizando basicamente no mesmo n\u00edvel.\u201d, segundo Ho-Joon Chang, autor do livro \u201cEconomia: Modo de usar\u201d. A seguir, o autor d\u00e1 exemplos: em 2003, 45% do lucro da GE foi derivada da GE Capital; em 2004, 80% dos lucros da GM veio do bra\u00e7o financeiro GMAC e na Ford, a totalidade dos lucros veio da Ford Finance entre 2001 e 2003.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos eventos citados acima, o Brasil ainda sofre do risco regulat\u00f3rio. As regras dependem do presidente de plant\u00e3o. O setor el\u00e9trico \u00e9 exemplar. Os betas da maioria das empresas calculados no per\u00edodo entre 2011 e 2016 aumentaram quando comparados ao quinqu\u00eanio anterior. Esse indicador mede a rela\u00e7\u00e3o entre a rentabilidade da a\u00e7\u00e3o da empresa com a performance do \u00edndice de mercado, o Ibovespa. Nos \u00faltimos cinco anos, al\u00e9m da lei que alterou as regras para e renova\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es, a crise h\u00eddrica aumentou os custos de geradoras e de algumas distribuidoras. Os betas dos pap\u00e9is das empresas do setor, em geral, s\u00e3o inferiores a 1. Logo tendem a se desvalorizarem menos do que o Ibovespa em per\u00edodos de queda. Contudo, embora os betas continuem inferiores a 1, apresentaram forte eleva\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos cinco anos. Das 11 a\u00e7\u00f5es mais l\u00edquidas, apenas Celesc (CLSC4) e Cesp (CESP6) apresentaram queda do beta no per\u00edodo. Algumas \u2013 Cemig (CMIG4), Copel (CPLE6) e Eletropaulo (ELPL4) &#8211; apresentaram indicadores pr\u00f3ximos a 1, ou seja, em m\u00e9dia tendem a apresentar rentabilidade semelhantes ao do Ibovespa. Em outras palavras, as empresas do setor ficaram mais arriscadas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/beta-eletricas-corrigido-5.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2342\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/beta-eletricas-corrigido-5.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>O sonho de todo gerente \u00e9 virar presidente. Isso \u00e9 natural. Mas, caso o desejo se materialize, saiba que desafios e instabilidade lhe far\u00e3o companhia.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ambiente econ\u00f4mico atual \u00e9 mais din\u00e2mico e, por consequ\u00eancia, mais complexo. Mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas disruptivas incomodam modelos de neg\u00f3cios antes inabal\u00e1veis. A gest\u00e3o est\u00e1 mais complicada n\u00e3o somente por causa da tecnologia. O ambiente regulat\u00f3rio tamb\u00e9m se deteriorou no Brasil nos \u00faltimos anos. 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