{"id":2313,"date":"2016-11-22T21:51:17","date_gmt":"2016-11-23T00:51:17","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2313"},"modified":"2016-11-23T08:56:13","modified_gmt":"2016-11-23T11:56:13","slug":"sera-o-fim-das-companhias-defensivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2313","title":{"rendered":"Ser\u00e1 o fim das companhias defensivas?"},"content":{"rendered":"<p>Em momentos turbulentos, os consultores indicam a\u00e7\u00f5es de companhias defensivas para compor a carteira de seus clientes. A maioria dos gestores tamb\u00e9m prefere adotar essa estrat\u00e9gia quando as incertezas se avolumam. Mas o que s\u00e3o a\u00e7\u00f5es defensivas? Esse conceito permanece v\u00e1lido em uma economia din\u00e2mica como a atual?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas participei de um evento sobre o setor el\u00e9trico: \u201cDo \u00b4compliance` ao \u00b4smart grid`: as perspectivas para o setor de energia no Brasil\u201d, organizado pelo Grupo M\u00eddia e pela empresa Full Energy. Na mesa redonda da qual participei, cujo tema era \u201cA matriz energ\u00e9tica do Brasil necessita de uma novo marco regulat\u00f3rio?\u201d, Marcos Meireles, presidente da Rio Energy, investidora em projetos de energia renov\u00e1vel, fez uma intrigante observa\u00e7\u00e3o: com a cont\u00ednua e disruptiva evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 vi\u00e1vel a assinatura de contratos de concess\u00e3o de longo prazo?<\/p>\n<p>Empresas concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos, em tese, apresentam um monop\u00f3lio natural. Como o servi\u00e7o exige pesados investimentos, n\u00e3o existem muitas ofertantes do servi\u00e7o. Com isso, essas empresas tendem a apresentar: (i) resultados mais est\u00e1veis devido ao reajuste das receitas pela infla\u00e7\u00e3o passada, (ii) menor volatilidade do faturamento, pois a utiliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dependente dos ciclos econ\u00f4micos. Um consumidor residencial pode at\u00e9 gastar menos energia em \u00e9pocas de crise, mas h\u00e1 um limite para essa redu\u00e7\u00e3o e (iii) competi\u00e7\u00e3o mais restrita.<\/p>\n<p>Por essas raz\u00f5es, a\u00e7\u00f5es de concession\u00e1rias p\u00fablicas s\u00e3o chamadas de \u201cdefensivas\u201d. Por outro lado, pap\u00e9is de companhias, cujos resultados apresentam maior varia\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia dos ciclos econ\u00f4micos como o setor de commodities e financeiro, s\u00e3o chamadas de \u201cc\u00edclicas\u201d. Ou seja, em per\u00edodos de prosperidade, suas receitas apresentam forte crescimento, para ca\u00edrem significativamente durante as recess\u00f5es.<\/p>\n<p>A coloca\u00e7\u00e3o do palestrante me fez pensar na ind\u00fastria de telecomunica\u00e7\u00f5es. A Lei Geral do setor de 1997 serviu de base para a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema Telebras no ano seguinte. Quase 20 anos depois, essa legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 conta da realidade. As empresas privatizadas na \u00e9poca eram divididas por servi\u00e7os: telefonia fixa, m\u00f3vel e dados. A tecnologia atropelou esse conceito de segrega\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. A modernidade apontou para o oposto do imaginado: a converg\u00eancia &#8211; TV por assinatura, fixo, m\u00f3vel e dados. Empresas importantes \u2013 Brasil Telecom, Embratel, Telemig Celular &#8211; foram absorvidas por outras. Al\u00e9m disso, a concorr\u00eancia surgiu de onde n\u00e3o se esperava. Assim, os contratos de concess\u00e3o firmados h\u00e1 duas d\u00e9cadas v\u00eam sendo rediscutidos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o setor de telecomunica\u00e7\u00f5es brasileiro ainda pode ser chamado de defensivo? A revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tem eliminado possibilidades de receita e elevado os investimentos. O faturamento com mensagens eletr\u00f4nicas e com voz vem sendo corro\u00eddo pelo WhatsApp, pelo Messenger e pelo Skype, apenas para citar alguns novos concorrentes. Al\u00e9m disso, a rede por onde transitam os dados precisa ser atualizada constantemente, drenando recursos. Com isso, os resultados das empresas n\u00e3o t\u00eam sido est\u00e1veis, basta observar a recupera\u00e7\u00e3o judicial da Oi, a maior da hist\u00f3ria corporativa brasileira. Dessa forma, o consultor que, ao se deparar com a recess\u00e3o utilizou a regra tradicional ao indicar a\u00e7\u00f5es do setor de telecom por serem defensivas, foi prudente?<\/p>\n<p>A tecnologia n\u00e3o avan\u00e7ou tanto no setor el\u00e9trico. Mas algumas inova\u00e7\u00f5es j\u00e1 indicam um cen\u00e1rio de maior volatilidade no resultado das companhias. Novas fontes de energia geradas por entidades fora do sistema podem aumentar a concorr\u00eancia tanto na gera\u00e7\u00e3o como na distribui\u00e7\u00e3o. Os \u201csmart grids\u201d, sistemas de distribui\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica dotados de recursos de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, podem aumentar a efici\u00eancia dos clientes, reduzindo seu consumo. Embora o \u201csmart grid\u201d possa gerar benef\u00edcios tamb\u00e9m \u00e0s geradoras e \u00e0s distribuidoras como o maior controle de fraudes e das perdas operacionais, o consumidor pode ter um importante instrumento a sua disposi\u00e7\u00e3o para otimizar seu consumo.<\/p>\n<p>\u00c9 sabida a avers\u00e3o do cultuado investidor americano Warren Buffett contra empresas de tecnologia. E agora? Como ele agir\u00e1 em um momento no qual a tecnologia avan\u00e7a para setores antes inalcan\u00e7\u00e1veis?<\/p>\n<p>Assim, a pondera\u00e7\u00e3o do palestrante \u00e9 pertinente. Com altera\u00e7\u00f5es frequentes causadas por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, os contratos de concess\u00e3o precisar\u00e3o ser revistos com maior periodicidade trazendo inseguran\u00e7a aos agentes do setor e aos investidores. Isso sem falar no risco regulat\u00f3rio sempre presente. Logo, o conforto das a\u00e7\u00f5es defensivas em momentos de incerteza parece estar com os dias contados.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em momentos turbulentos, os consultores indicam a\u00e7\u00f5es de companhias defensivas para compor a carteira de seus clientes. A maioria dos gestores tamb\u00e9m prefere adotar essa estrat\u00e9gia quando as incertezas se avolumam. Mas o que s\u00e3o a\u00e7\u00f5es defensivas? 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