{"id":2274,"date":"2016-07-19T21:07:59","date_gmt":"2016-07-20T00:07:59","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2274"},"modified":"2016-07-20T13:34:50","modified_gmt":"2016-07-20T16:34:50","slug":"o-esquizofrenico-setor-de-telecomunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2274","title":{"rendered":"O esquizofr\u00eanico setor de telecomunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Imagine um objeto de desejo, que representa status social e que se tornou vital nos dias atuais. O carro, diriam alguns. N\u00e3o, pois esse vem sendo questionado em um mundo que preza a sustentabilidade e a mobilidade urbana. Falo do celular. O glamour do ma\u00e7o de cigarros nos bolsos e bolsas, hoje \u00e9 personificado no aparelho m\u00f3vel. O estoque de celulares j\u00e1 supera a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Contudo, as operadoras n\u00e3o est\u00e3o comemorando. Estranho, n\u00e9? A Oi recorreu recentemente \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial com d\u00edvidas superiores a R$ 60 bilh\u00f5es, a maior da hist\u00f3ria brasileira. A TIM patina. Essas empresas n\u00e3o conseguem aproveitar o cen\u00e1rio ben\u00e9fico e, como reflexo, suas a\u00e7\u00f5es perdem espa\u00e7o na bolsa brasileira. Por que isso ocorre?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Como analista, acompanhei o setor de telecomunica\u00e7\u00e3o entre 1996, portanto antes da privatiza\u00e7\u00e3o do sistema Telebras, e 2007. O peso do segmento no Ibovespa, principal \u00edndice da bolsa brasileira, era de cerca de 50%. Em 19 de julho, essa participa\u00e7\u00e3o reduziu-se para 3% representado por Telefonica Brasil (VIVT4) com 2,345% e Tim Participa\u00e7\u00f5es (TIMP3) com 0,663%.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rias. Faz-se necess\u00e1rio voltar a meados da d\u00e9cada de 90. Na privatiza\u00e7\u00e3o, os ativos da Telebras foram cindidos em telefonia fixa e m\u00f3vel e distribu\u00eddos em 12 holdings regionais: tr\u00eas de telefonia fixa, oito de telefonia m\u00f3vel e uma de dados e longa dist\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, o governo fomentou a cria\u00e7\u00e3o de empresas espelhos para competir nos territ\u00f3rios de cada uma das holdings. Esse modelo foi subvertido pelo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. As principais defici\u00eancias do modelo foram:<\/p>\n<ul>\n<li>Diversidade regional: a divis\u00e3o por regi\u00f5es n\u00e3o faz sentido tendo em vista a magnitude dos investimentos constantes impulsionados pela r\u00e1pida obsolesc\u00eancia das tecnologias. Em um per\u00edodo de dez anos, a telefonia m\u00f3vel foi da transmiss\u00e3o anal\u00f3gica ao 4G, por exemplo. Com isso, escala \u00e9 fundamental para diluir o capital aplicado.<\/li>\n<li>Separa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: o tempo mostrou que a tecnologia era convergente. Uma empresa deve oferecer v\u00e1rios servi\u00e7os: fixo, dados, m\u00f3vel e TV por assinatura.<\/li>\n<li>O aparecimento de tecnologias concorrentes: novos servi\u00e7os surgiram retirando tr\u00e1fego das operadoras como o Skype e o WhatsApp tanto do servi\u00e7o de voz como o de dados.<\/li>\n<li>O surgimento das redes sociais como Facebook e LinkedIn, bem como servi\u00e7os de streaming como Netflix e Spotify, que sobrecarregam a rede das operadoras, gerando a necessidade de mais investimentos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m desses problemas, os acionistas minorit\u00e1rios ficaram sempre \u00e0 merc\u00ea de eventos societ\u00e1rios. A \u00faltima opera\u00e7\u00e3o da Oi com a Portugal Telecom \u00e9 um exemplo.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o geogr\u00e1fica e a converg\u00eancia de servi\u00e7os foram parcialmente superadas por interm\u00e9dio da consolida\u00e7\u00e3o. O grupo Telemar incorporou a Brasil Telecom, dando origem \u00e0 Oi e iniciou do zero seu servi\u00e7o m\u00f3vel. A Telefonica juntou suas opera\u00e7\u00f5es fixas em S\u00e3o Paulo com a operadora m\u00f3vel Vivo que, por sua vez, j\u00e1 havia adquirido a Telemig Celular e a Centro Oeste Celular. O grupo comprou ainda a empresa de TV a cabo TVA e a empresa de telefonia fixa e de dados GVT.<\/p>\n<p>A mexicana America Movil consolidou suas opera\u00e7\u00f5es m\u00f3veis espalhadas pelo pa\u00eds, criando a Claro e adquiriu a Net de TV a cabo e as empresas de dados Embratel e Vesper. Contudo, essa movimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente. O setor deve se consolidar ainda mais. O jogo ainda n\u00e3o acabou.<\/p>\n<p>Meu antigo chefe, antes de me contratar na Unibanco Corretora, buscou refer\u00eancias sobre mim junto a alguns analistas concorrentes. Um deles, ainda acreditando no potencial do setor com base no passado, disse: \u201cEle \u00e9 muito pessimista com o setor\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Desde 2005, deixei de acreditar no setor de telecomunica\u00e7\u00f5es como um investimento de longo prazo. Meus relat\u00f3rios tinham recomenda\u00e7\u00f5es apenas pontuais: algumas arbitragens entre pap\u00e9is, por exemplo, entre a\u00e7\u00f5es da holding e as da operadora ou posicionamentos com o objetivo de se beneficiar de reestrutura\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o se alterou com o tempo e a trouxe para o blog \u201cO Estrategista\u201d retratado em um artigo de janeiro de 2013,\u00a0 intitulado <a href=\"https:\/\/estrategista.net\/esqueca-o-setor-de-telecom-como-investimento-de-longo-prazo\/\" target=\"_blank\">\u201cEsque\u00e7a o setor de Telecom como investimento de longo prazo\u201d.<\/a><\/p>\n<p>A Oi e a Tim continuam a me dar raz\u00e3o. A primeira est\u00e1 concordat\u00e1ria e a TIM patina v\u00edtima da converg\u00eancia tecnol\u00f3gica e de um controlador, a Telecom Italia, com capacidade reduzida de investimentos e com instabilidade societ\u00e1ria.<\/p>\n<p>Caso queira estar exposto ao setor, a melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 a Telefonica Brasil que conseguiu ter presen\u00e7a nacional com telefonia fixa, celular, dados e TV a cabo. A outra op\u00e7\u00e3o seria a Net e a Claro, mas suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o negociadas na bolsa brasileira. Indiretamente, o investidor poderia comprar as a\u00e7\u00f5es da America M\u00f3vil, mas a opera\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 apenas uma parte da atua\u00e7\u00e3o da companhia na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O resto serve apenas a investidores especulativos.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine um objeto de desejo, que representa status social e que se tornou vital nos dias atuais. O carro, diriam alguns. N\u00e3o, pois esse vem sendo questionado em um mundo que preza a sustentabilidade e a mobilidade urbana. Falo do celular. 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