{"id":2261,"date":"2016-06-09T21:38:43","date_gmt":"2016-06-10T00:38:43","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2261"},"modified":"2016-06-09T21:38:43","modified_gmt":"2016-06-10T00:38:43","slug":"as-dificuldades-de-comunicacao-com-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2261","title":{"rendered":"As dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o  com o mercado"},"content":{"rendered":"<p>A empresa que apresenta resultados robustos por um determinado per\u00edodo de tempo ter\u00e1 seu valor de mercado apreciado. O pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o \u00e9 diretamente relacionado ao desempenho operacional da empresa. Contudo, por que em determinados momentos companhias com resultados consistentes n\u00e3o veem seus pap\u00e9is se valorizarem? Ou, o que \u00e9 pior, por que a\u00e7\u00f5es de firmas com resultados pouco atraentes t\u00eam alta procura dos investidores? A resposta est\u00e1 na forma como as empresas se relacionam com investidores e analistas. Constatei durante minha carreira erros cometidos que influenciaram diretamente o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o. A seguir, alguns exemplos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Recompra de a\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Em tese, quando uma empresa anuncia a compra de suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, ela sinaliza que suas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o baratas. Em 2008, analisava uma companhia que tinha aberto seu capital recentemente. A tese de investimento era a de que a empresa, com os recursos obtidos no IPO (oferta p\u00fablica inicial de a\u00e7\u00f5es, em ingl\u00eas), adquiriria concorrentes para diversificar sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Contudo, o pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es come\u00e7ou a cair fortemente na esteira da crise do \u201csubprime\u201d. Com isso, a companhia lan\u00e7ou um programa de recompra de a\u00e7\u00f5es. Os minorit\u00e1rios reclamaram porque o dinheiro do IPO estava sendo usado para comprar suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es e n\u00e3o outras empresas, contrariando a tese de investimento.<\/p>\n<p>Em uma reuni\u00e3o, questionado pelo mercado, o respons\u00e1vel\u00a0 pela \u00e1rea de rela\u00e7\u00e3o com investidores (RI) cometeu a seguinte gafe: \u201cPrecisamos adquirir as a\u00e7\u00f5es agora para\u00a0 dar sa\u00edda aos acionistas descontentes\u201d. Desnecess\u00e1rio dizer que a resposta causou indigna\u00e7\u00e3o dos presentes. E o pior \u00e9 que a estrat\u00e9gia da companhia estava correta. Naquele instante, n\u00e3o havia melhor aplica\u00e7\u00e3o para o uso do dinheiro do que comprar suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es que estavam extremamente baratas. O cen\u00e1rio havia mudado entre o IPO e a crise. Mas a abordagem infeliz do RI maculou a credibilidade da companhia.<\/p>\n<p>Recentemente, indagado por analistas e investidores em teleconfer\u00eancia se a JBS manteria o ritmo na aquisi\u00e7\u00e3o de outras empresas, o CEO global, Wesley Batista, foi perfeito ao explicar porque passaria a privilegiar o crescimento org\u00e2nico: \u201cA equa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples. Se voc\u00ea olhar o m\u00faltiplo da JBS, n\u00e3o h\u00e1 nada no mercado mais barato do que isso. Para fazer uma aquisi\u00e7\u00e3o, tem que pagar o dobro do m\u00faltiplo do que a JBS vale. O que \u00e9 melhor?\u201d. As duas empresas adotaram a mesma estrat\u00e9gia, mas a forma da comunica\u00e7\u00e3o com o mercado foi completamente diferente.<\/p>\n<p>Empresa alvo de aquisi\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A mesma empresa citada acima tinha n\u00fameros robustos, mas era pequena, o que facilitava a abordagem de outras empresas. Em uma reuni\u00e3o, um investidor indagou: \u201cPor que sua companhia n\u00e3o se junta \u00e0 companhia X? Voc\u00eas possuem atividades complementares, a fus\u00e3o geraria v\u00e1rias sinergias\u201d. O respons\u00e1vel pelo RI mais uma vez se atrapalhou: \u201cMeu controlador n\u00e3o aceitaria, pois passaria a ser minorit\u00e1rio na nova empresa\u201d. O investidor\u00a0\u00a0 contra-argumentou: \u201cEnt\u00e3o seu controlador n\u00e3o quer crescer?\u201d. A resposta correta n\u00e3o era essa, at\u00e9\u00a0 porque eu conhecia a vis\u00e3o do controlador. Ele n\u00e3o aceitaria uma oferta naquela ocasi\u00e3o devido a suas a\u00e7\u00f5es estarem depreciadas. Contudo, caso houvesse uma valoriza\u00e7\u00e3o da empresa, nada impedia uma venda futura.<\/p>\n<p>Vis\u00e3o de curto prazo<\/p>\n<p>Investidores especulativos pressionam as empresas para apresentar resultados no curto prazo, muitas vezes clamando para o aumento do pagamento de dividendos em detrimento dos investimentos. Segundo pesquisa da consultoria McKinsey realizada entre mil altos executivos e diretores corporativos, 79% relataram press\u00f5es para apresentar resultados s\u00f3lidos em no m\u00e1ximo dois anos, conforme citado por Laura Tyson em artigo publicado no Valor. Al\u00e9m disso, altos executivos possuem, em regra, remunera\u00e7\u00e3o calcada no sucesso de curto prazo, o que privilegia decis\u00f5es corporativas que n\u00e3o levam em conta a perenidade da empresa.<\/p>\n<p>O administrador \u00e9tico e competente n\u00e3o pode cair nessa cilada. Sua estrat\u00e9gia deve ser atender primeiro a empresa. Se sua \u00f3tica estiver certa, os resultados futuros por si s\u00f3 alavancar\u00e3o o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o. Isso aconteceu recentemente no setor de papel e celulose. Suzano tinha um ambicioso programa de investimentos, bem como a estrat\u00e9gia de reduzir seu elevado n\u00edvel de endividamento. A empresa soube se comunicar com o mercado orientando o investidor a observar o longo prazo. O pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es mais do que dobrou entre o in\u00edcio de 2012 e dezembro de 2015.<\/p>\n<p>John Cryan, um dos principais executivos do Deutsche Bank, disse uma frase exemplar em reportagem do \u201cFinancial Times\u201d de janeiro: \u201cN\u00e3o devemos tentar administrar o valor das a\u00e7\u00f5es, devemos administrar o banco\u201d. Ele est\u00e1 certo. O pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o \u00e9 reflexo das atividades da empresa.\u00a0 Mas isso n\u00e3o significa que os executivos, em especial os do RI, n\u00e3o tenham que entender a cabe\u00e7a do investidor. Uma narrativa adequada tamb\u00e9m contribui para a valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es. Cursos e aconselhamentos com profissionais que atuam no mercado podem ser de grande ajuda para os profissionais da empresa e, em consequ\u00eancia, beneficiar a todos: executivos, controladores e minorit\u00e1rios. O tema \u00e9 extenso. Retornarei ao assunto em outros artigos.<\/p>\n<hr \/>\n<h4>Curso \u201cSua cia se comunica bem com analistas e gestores?\u201d<\/h4>\n<p>O objetivo do curso \u00e9 mostrar aos participantes como os profissionais do \u201cbuy side\u201d e os do \u201csell side\u201d avaliam as companhias listadas em bolsa de forma a aprimorar a comunica\u00e7\u00e3o entre sua empresa e o mercado. O efeito pr\u00e1tico ser\u00e1 sentido no pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Valor:<\/strong> a partir de R$ 5 mil.<\/p>\n<p><strong>P\u00fablico alvo<\/strong>: controladores e profissionais de rela\u00e7\u00f5es com investidores<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> envie e-mail para <a href=\"mailto:contato@estrategista.net\">contato@estrategista.net<\/a><\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A empresa que apresenta resultados robustos por um determinado per\u00edodo de tempo ter\u00e1 seu valor de mercado apreciado. 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