{"id":2256,"date":"2016-05-18T04:53:20","date_gmt":"2016-05-18T07:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2256"},"modified":"2016-05-18T05:11:13","modified_gmt":"2016-05-18T08:11:13","slug":"cias-reduzem-dividas-e-dao-alegrias-aos-acionistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2256","title":{"rendered":"Cias reduzem d\u00edvidas e d\u00e3o alegrias aos acionistas"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos quatro anos, procuro escrever no blog O Estrategista artigos que conciliem a parte te\u00f3rica \u00e0 minha pr\u00e1tica profissional. Alguns deles geram recomenda\u00e7\u00f5es de investimentos.<\/p>\n<p>Uma leitora resgatou um post antigo que utilizava essa combina\u00e7\u00e3o: \u201cacabei interessada por um artigo publicado em 2012 \u00b4O impacto do endividamento sobre o m\u00faltiplo FV \/ EBITDA` no qual havia uma discuss\u00e3o sobre as empresas do ramo de papel e celulose Suzano e Fibria. Ap\u00f3s l\u00ea-lo, fiquei curiosa sobre o desfecho\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em janeiro de 2012, Fibria e Suzano apresentavam elevado endividamento, ambas com d\u00edvida l\u00edquida sobre Ebitda, uma medida simplificada de gera\u00e7\u00e3o de caixa, de 4,2 vezes com base no balan\u00e7o de setembro de 2011. Contudo, essas empresas sinalizavam que pretendiam reduzir o n\u00edvel do endividamento por interm\u00e9dio da recupera\u00e7\u00e3o do fluxo de caixa operacional e da venda de ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise, demonstrei que uma queda do endividamento poderia ter um reflexo muito positivo sobre a cota\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es. \u00c0quela altura, Fibria e Suzano negociavam a um m\u00faltiplo FV (\u201cfirm value\u201d) \/ Ebitda de 6,3 e 7,1 vezes, respectivamente. O valor da firma \u00e9 calculado pela soma do valor de mercado (n\u00famero de a\u00e7\u00f5es multiplicado pela cota\u00e7\u00e3o) com o endividamento l\u00edquido (endividamento bruto menos caixa). O endividamento l\u00edquido representava 60% do valor da firma de Fibria e 66% do de Suzano, confirmando o elevado n\u00edvel de alavancagem das duas empresas. Qual era a tese de investimento? Se o endividamento se reduzisse e o Ebitda ficasse constante, o valor de mercado teria que aumentar para a empresa continuar negociando ao mesmo m\u00faltiplo. J\u00e1, se o Ebitda se elevasse, o m\u00faltiplo cairia o que tamb\u00e9m abriria espa\u00e7o para uma valoriza\u00e7\u00e3o da cota\u00e7\u00e3o para que o indicador voltasse ao patamar original. Terminava o post com a seguinte provoca\u00e7\u00e3o: \u201cA tese de investimento de Suzano possui riscos, mas pode trazer excelente retorno aos acionistas se a administra\u00e7\u00e3o for bem sucedida na sua estrat\u00e9gia de desalavancagem. (&#8230;) Quem sabe 2012 n\u00e3o ser\u00e1 melhor para as a\u00e7\u00f5es preferenciais (SUZB5) ap\u00f3s a queda de 52,6% em 2011?\u201d<\/p>\n<p>Quatro anos depois como se comportaram as a\u00e7\u00f5es dessas companhias, respondendo \u00e0 leitora? Tomando por base as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras de mar\u00e7o de 2016, Suzano teve uma redu\u00e7\u00e3o agressiva do n\u00edvel do endividamento de 4,2 vezes para 2,3 vezes, enquanto Fibria foi ainda melhor. O indicador caiu de 4,2 vezes para 1,9 vez. A d\u00edvida l\u00edquida de Suzano se elevou de R$ 5.469 milh\u00f5es para R$11.237 milh\u00f5es, crescimento bem inferior ao do Ebitda que pulou de R$ 1.301 milh\u00e3o para R$ 4.880 milh\u00f5es. J\u00e1 o endividamento de Fibria teve ligeira eleva\u00e7\u00e3o de R$ 9.210 milh\u00f5es para R$ 9.890 milh\u00f5es, enquanto o Ebitda apresentou forte incremento de R$ 2.191 milh\u00f5es para R$ 5.302 milh\u00f5es. As administra\u00e7\u00f5es das duas companhias foram bem-sucedidas. O reflexo disso se deu no pre\u00e7o de suas a\u00e7\u00f5es. A valoriza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de Suzano e de Fibria entre dezembro de 2011 e 13 de maio de 2016, \u00faltima sexta feira, foi de 112% e 109%, respectivamente, superando com folgas o desempenho do Ibovespa no per\u00edodo que teve queda de 8,7%.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2259\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1.jpg\" alt=\"Chassi\" width=\"945\" height=\"593\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1.jpg 945w, wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1-300x188.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1-768x482.jpg 768w, wp-content\/uploads\/2016\/05\/suzano-e-fibria-1-624x392.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 945px) 100vw, 945px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Esse desempenho das a\u00e7\u00f5es das empresas de celulose e papel \u00e9 ainda mais surpreendente, pois seus pap\u00e9is ca\u00edram 23% e 44% em 2016, respectivamente. A queda recente se deve a discuss\u00f5es sobre uma poss\u00edvel sobreoferta de celulose no mercado e a valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar o que prejudica as exporta\u00e7\u00f5es das companhias.<\/p>\n<p>Apesar da forte valoriza\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es das a\u00e7\u00f5es no per\u00edodo, os m\u00faltiplos FV\/Ebitda de Suzano e Fibria se reduziram em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00faltiplos do in\u00edcio de 2012. Hoje Fibria negocia a 5,1 vezes e Suzano a 5,5 vezes com base no Ebitda projetado para 2016 coletado pela S&amp;P Capital IQ junto a analistas de mercado.<\/p>\n<p>Os casos de Fibria e Suzano desmentem recomenda\u00e7\u00f5es que recha\u00e7am aplicar em empresas endividadas e opini\u00f5es que consideram a bolsa brasileira um p\u00e9ssimo investimento. Se as empresas apresentam bom posicionamento no mercado e perspectiva de melhora dos resultados, a queda do endividamento pode trazer excelente retorno aos investidores. Por sua vez, uma sele\u00e7\u00e3o criteriosa de pap\u00e9is pode trazer ganhos que o principal \u00edndice de mercado, o Ibovespa, n\u00e3o tem sido capaz de entregar nos \u00faltimos anos.\u00a0 \u00a0Os acionistas de Fibria e Suzano, bem como os leitores do blog O Estrategista, puderam comprovar essas li\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos quatro anos, procuro escrever no blog O Estrategista artigos que conciliem a parte te\u00f3rica \u00e0 minha pr\u00e1tica profissional. Alguns deles geram recomenda\u00e7\u00f5es de investimentos. 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