{"id":2251,"date":"2016-04-26T22:36:36","date_gmt":"2016-04-27T01:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2251"},"modified":"2016-05-09T13:49:43","modified_gmt":"2016-05-09T16:49:43","slug":"o-gestor-brasileiro-e-mesmo-eficiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2251","title":{"rendered":"O gestor brasileiro \u00e9 mesmo eficiente?"},"content":{"rendered":"<p>Warren Buffett, o m\u00edtico investidor americano, j\u00e1 recomendou aos investidores aplicarem em produtos com gest\u00e3o passiva, ou seja, aqueles cujas carteiras apenas repliquem \u00edndices de mercado. Exemplo t\u00edpico desses produtos s\u00e3o os ETFs (Exchanged Traded Funds). Esses fundos possuem composi\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 dos \u00edndices de mercado. Por exemplo, o PIBB11 espelha o IBrX-50 e o BOVA11 segue o Ibovespa. No caso do primeiro, por interm\u00e9dio de um \u00fanico ativo se adquire automaticamente 50 a\u00e7\u00f5es. Mas a recomenda\u00e7\u00e3o de Buffett vale para o mercado brasileiro?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Segundo reportagens publicadas pelo Valor nos \u00faltimos tempos, a resposta seria n\u00e3o.\u00a0 Em outubro do ano passado, a mat\u00e9ria \u201cGest\u00e3o ativa bate ganhos do Ibovespa no longo prazo\u201d contradiz a afirma\u00e7\u00e3o de Buffett para o mercado brasileiro. A Tag Investimentos, ap\u00f3s fazer a an\u00e1lise de 95 fundos de a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o ativa, verificou que 86% deles ganharam do Ibovespa em um horizonte de 36 meses. Em um per\u00edodo mais curto, de 24 meses, a rentabilidade de 69% deles ficou acima do Ibovespa.<\/p>\n<p>Contudo, essa n\u00e3o foi a \u00fanica mat\u00e9ria que indicou a efici\u00eancia do gestor local. Em 6 de abril \u00faltimo, reportagem de Luciana Seabra chega a mesma conclus\u00e3o: \u201cGestores de a\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais eficientes no Brasil\u201d. Estudo da S&amp;P analisou 800 fundos de a\u00e7\u00f5es latinos. 57% dos brasileiros bateram o S&amp;P Brazil BMI em 2015, \u00edndice que reflete uma carteira de a\u00e7\u00f5es brasileiras. Em tr\u00eas anos, os fundos vitoriosos representaram 38% do total e, em cinco anos, 43%. \u00a0Em pa\u00edses vizinhos, os gestores s\u00e3o bem menos eficientes. No M\u00e9xico, apenas 18% dos fundos bateram o S&amp;P em cinco anos e no Chile, nenhum gestor superou o S&amp;P \u00edndices Versus Active (SPIVA) Am\u00e9rica Latina. Os gestores brasileiros tamb\u00e9m fazem bonito frente aos norte-americanos. Em 2015, apenas 25% desses fundos superaram o S&amp;P Composite 1500. Em tr\u00eas anos, os vitoriosos ca\u00edram a 19% do total e em cinco anos a 12%. Os gestores p\u00e1trios possuem melhor performance tamb\u00e9m do que franceses, dinamarqueses, holandeses, poloneses, espanh\u00f3is, suecos e su\u00ed\u00e7os em cinco anos. Apenas italianos e ingleses superam os brasileiros no mesmo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>Com base nesses resultados, cabe a pergunta: por que o gestor brasileiro possui desempenho t\u00e3o destacado?<\/p>\n<p>A l\u00f3gica de Buffett para privilegiar os gestores passivos \u00e9 a de que os mercados s\u00e3o eficientes, especialmente no longo prazo. Em outras palavras, o pre\u00e7o de mercado de uma empresa tende a alcan\u00e7ar o seu valor justo em prazos mais longos. Logo, a aus\u00eancia de distor\u00e7\u00f5es entre o pre\u00e7o de mercado e o pre\u00e7o justo, especialmente em prazos mais dilatados, impede que um gestor se destaque.<\/p>\n<p>Logo, uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para o bom desempenho dos gestores locais seria a de que o mercado acion\u00e1rio brasileiro n\u00e3o \u00e9 eficiente proporcionando distor\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os e oportunidades de ganhos aos gestores.<\/p>\n<p>A tese de que o mercado local n\u00e3o \u00e9 eficiente foi adotada pela Aneel para c\u00e1lculo do custo de capital na revis\u00e3o peri\u00f3dica das tarifas das distribuidoras de energia. Segundo a ag\u00eancia, o mercado acion\u00e1rio n\u00e3o seria um bom par\u00e2metro devido, entre outros motivos, \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o em poucas atividades dos principais \u00edndices de refer\u00eancia do mercado acion\u00e1rio brasileiro, dentre esses o Ibovespa.<\/p>\n<p>A nota t\u00e9cnica da Aneel destacou que da carteira te\u00f3rica de final de abril de 2014 do Ibovespa, do IBrX 50, do IBrX 100 e do IBrA, o peso de cinco pap\u00e9is (Petrobras, Ita\u00fa, Ita\u00fasa, Vale e Bradesco), representava 41,6%, 46,8%, 40,9% e 38,4%, respectivamente.<\/p>\n<p>\u00c9 na concentra\u00e7\u00e3o dos \u00edndices em poucos pap\u00e9is que reside, a meu ver, o desempenho extraordin\u00e1rio dos gestores brasileiros. Por exemplo, nos \u00faltimos anos, Petrobras se viu envolvida em esc\u00e2ndalos e m\u00e1 gest\u00e3o que impactaram negativamente seus resultados. Era quase consenso que ter uma posi\u00e7\u00e3o de Petrobras inferior \u00e0 do papel no \u00edndice geraria uma rentabilidade extra. Os mais corajosos chegaram a zerar a sua participa\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es da companhia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos anos, a economia chinesa vem desacelerando. Com isso, os pre\u00e7os de v\u00e1rias commodities ca\u00edram o que afetou a cota\u00e7\u00e3o de Vale. Embora uma aposta menos \u00f3bvia do que a de Petrobras, n\u00e3o possuir a\u00e7\u00f5es da Vale tamb\u00e9m passou a ser uma forma de obter ganhos sobre o Ibovespa.<\/p>\n<p>Uma terceira alternativa foi se manter afastado de a\u00e7\u00f5es de empresas estatais. O governo Dilma mostrou-se extremamente intervencionista o que prejudicou n\u00e3o s\u00f3 os pap\u00e9is de Petrobras, mas tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es de Eletrobras.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, essa concentra\u00e7\u00e3o gera oportunidades claras para os gestores. No passado, foi Embratel, recentemente Petrobras. E assim, os gestores locais v\u00e3o refor\u00e7ando seu prest\u00edgio. Esse bom desempenho se deve a qualidade dos gestores ou a m\u00e1 composi\u00e7\u00e3o dos \u00edndices?<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Warren Buffett, o m\u00edtico investidor americano, j\u00e1 recomendou aos investidores aplicarem em produtos com gest\u00e3o passiva, ou seja, aqueles cujas carteiras apenas repliquem \u00edndices de mercado. Exemplo t\u00edpico desses produtos s\u00e3o os ETFs (Exchanged Traded Funds). Esses fundos possuem composi\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 dos \u00edndices de mercado. 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