{"id":2242,"date":"2016-04-06T01:29:49","date_gmt":"2016-04-06T04:29:49","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2242"},"modified":"2016-04-06T21:36:51","modified_gmt":"2016-04-07T00:36:51","slug":"o-destino-esperado-dos-bancos-medios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2242","title":{"rendered":"O destino esperado dos bancos m\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p>A leitura desse artigo exigir\u00e1 sacrif\u00edcio do leitor. N\u00e3o porque ele traga algum desafio intelectual. Mas por exigir que voc\u00ea, leitor, relegue o notici\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico a um segundo plano por quatro minutos, tempo necess\u00e1rio para l\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Abordar temas t\u00e9cnicos durante a pior crise econ\u00f4mica da hist\u00f3ria republicana parece sem prop\u00f3sito, lun\u00e1tica at\u00e9. Mas como Freddie Mercury da banda Queen lindamente cantava: \u201cThe show must go on\u201d. O tema, que escolhi compartilhar com voc\u00eas, versa sobre os bancos m\u00e9dios na bolsa de valores.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Esses bancos (Sofisa, Daycoval, Pine, Indusval, BicBanco, Banco Pan, Paran\u00e1 e ABC) foram assunto dessa coluna pelo menos duas vezes: \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/qual-o-futuro-das-acoes-dos-bancos-medios\/\" target=\"_blank\">Qual o futuro das a\u00e7\u00f5es dos bancos m\u00e9dios?<\/a>\u201d, de novembro de 2011 e \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/um-setor-a-deriva-na-bolsa\/\" target=\"_blank\">Um setor \u00e0 deriva na bolsa<\/a>\u201d, de julho de 2014. Pelos t\u00edtulos pode se perceber meu pessimismo com o desempenho de tais a\u00e7\u00f5es. Assim, a reportagem do Valor Econ\u00f4mico \u201cEm baixa, banco m\u00e9dio sai da bolsa\u201d de 15 de mar\u00e7o n\u00e3o me causou surpresa. Os textos pret\u00e9ritos dessa coluna j\u00e1 indicavam a alternativa de cancelamento de registro desses bancos como companhia aberta. Trechos dos artigos. O de 2011: \u201cOutra possibilidade seria o fechamento de capital com os controladores pagando um pr\u00eamio sobre a cota\u00e7\u00e3o de mercado\u201d. E o de 2014: \u201cExiste a alternativa de cancelar o registro em bolsa. Essa t\u00e1tica possui o inconveniente de tirar recursos do caixa da institui\u00e7\u00e3o. Por outro lado, reduz-se o custo de empresa aberta (taxas, publicidade, etc) e evita o olhar curioso da concorr\u00eancia sobre suas atividades. O pre\u00e7o ofertado tenderia a ter um pr\u00eamio sobre a cota\u00e7\u00e3o atual de forma a incentivar os minorit\u00e1rios a entregarem suas a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Dos oito bancos citados acima, quatro retiraram-se ou pretendem deixar a bolsa. BicBanco teve o controle acion\u00e1rio alterado e o novo propriet\u00e1rio fez oferta pela totalidade das a\u00e7\u00f5es dos minorit\u00e1rios. J\u00e1 os controladores de Daycoval, Sofisa e Indusval decidiram recomprar as a\u00e7\u00f5es dos acionistas minorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A tese de investimento utilizada pelos bancos de investimentos para vender essas a\u00e7\u00f5es mostrou-se falha. O argumento era o de que os bancos menores seriam mais \u00e1geis na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos, al\u00e9m de poderem atuar em nichos de mercado com baixa participa\u00e7\u00e3o dos bancos de maior porte. Contudo, diversos eventos contribu\u00edram para reduzir a atratividade dos bancos m\u00e9dios como (i) o custo de capta\u00e7\u00e3o mais elevado do que o dos grandes bancos; (ii) a altera\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de Bradesco e Ita\u00fa Unibanco que passaram a competir em mercados antes exclusivos dos m\u00e9dios; (iii) as altera\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias como a maior exig\u00eancia de capital e a restri\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o de carteiras; (iv) a crise do \u201csubprime\u201d americano que elevou a desconfian\u00e7a do investidor com a atividade banc\u00e1ria e, por fim, (v) as fraudes do Cruzeiro do Sul e do Banco Pan-americano que minaram a credibilidade sobre o balan\u00e7o patrimonial dos bancos de menor porte.<\/p>\n<p>Aqui cabe ainda um sorrateiro detalhe. O setor banc\u00e1rio \u00e9 um dos poucos setores, cujas empresas s\u00e3o avaliadas pelo m\u00faltiplo P\/VPA (pre\u00e7o por valor patrimonial). Quanto menor o indicador, em tese, mais barato estaria o papel. Pois bem, o que fizeram os bancos de investimento? Durante a abertura de capital desses bancos, os consultores mostravam o m\u00faltiplo ap\u00f3s a capta\u00e7\u00e3o, cujo patrim\u00f4nio l\u00edquido j\u00e1 estava inchado pelo aporte feito pelos novos acionistas. Ou seja, o indicador se tornava menor, logo \u201catrativo\u201d, n\u00e3o devido \u00e0 compet\u00eancia do administrador, mas aos novos recursos pagos pelos pr\u00f3prios acionistas que aumentavam o denominador do \u00edndice. Assim, o desconto do m\u00faltiplo desses bancos em rela\u00e7\u00e3o ao das grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas &#8211; Bradesco e Ita\u00fa Unibanco -se alargou ainda mais, dando a falsa impress\u00e3o de que suas a\u00e7\u00f5es estavam baratas. Mas a atratividade da a\u00e7\u00e3o de um banco n\u00e3o se mede apenas pelo baixo m\u00faltiplo P\/VPA, mas principalmente pelo retorno sobre o capital empregado. Os bancos m\u00e9dios, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam apresentado retornos bem inferiores ao dos grandes bancos. \u00a0Logo qual a vantagem de possuir a\u00e7\u00f5es de bancos com baixo retorno de capital?<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 o descaso dos investidores por essas a\u00e7\u00f5es, cuja liquidez dos pap\u00e9is \u00e9 m\u00ednima. Essa situa\u00e7\u00e3o incentiva o administrador a retirar as a\u00e7\u00f5es da bolsa a fim de reduzir os custos. Al\u00e9m disso, ele n\u00e3o possui expectativa de captar novos recursos no mercado.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de cancelar o registro de companhia aberta se torna ainda mais interessante em momentos de crise econ\u00f4mica. A falta de perspectivas afugenta os investidores, depreciando a cota\u00e7\u00e3o. Controladores, por terem horizonte de investimento maior, aproveitam a oportunidade para elevarem sua participa\u00e7\u00e3o a custos menores. Os administradores desses bancos acreditam que em breve um novo governo adotar\u00e1 um programa econ\u00f4mico racional que alimentar\u00e1 a confian\u00e7a dos agentes, beneficiando o crescimento econ\u00f4mico. Essa aposta \u00e9 sensata, pois dificilmente teremos uma chefe de governo e uma equipe econ\u00f4mica t\u00e3o incompetentes como as que se alojaram no Pal\u00e1cio do Planalto desde 2011.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leitura desse artigo exigir\u00e1 sacrif\u00edcio do leitor. N\u00e3o porque ele traga algum desafio intelectual. 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