{"id":2157,"date":"2015-08-31T21:10:02","date_gmt":"2015-09-01T00:10:02","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2157"},"modified":"2015-08-31T21:10:02","modified_gmt":"2015-09-01T00:10:02","slug":"devo-investir-em-empresas-que-geram-prejuizos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2157","title":{"rendered":"Devo investir em empresas que geram preju\u00edzos?"},"content":{"rendered":"<p>Empresas s\u00e3o criadas para gerar riqueza, n\u00e3o somente para os acionistas, mas tamb\u00e9m para os trabalhadores, fornecedores e para o Estado via tributos. O lucro \u00e9 o objetivo principal de qualquer empresa. Mas nem sempre as companhias alcan\u00e7am suas metas, especialmente em \u00e9pocas de crise como a atual. Um leitor do blog \u201cO Estrategista\u201d fez uma pergunta provocativa: \u201cpor que muitos analistas recomendam empresas que simplesmente n\u00e3o d\u00e3o lucro?\u201d<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Aqueles que seguem a an\u00e1lise fundamentalista, conhecidos como \u201cinvestidores de valor\u201d, podem ser divididos em duas correntes: os tradicionalistas e os qualitativos. Os primeiros fazem suas escolhas de pap\u00e9is baseados no hist\u00f3rico das demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis da empresa, enquanto os segundos levam em conta proje\u00e7\u00f5es dos resultados das empresas, bem como aspectos subjetivos como a marca, vantagens competitivas e a qualidade da administra\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Na primeira corrente, destacou-se Benjamin Graham que analisava o hist\u00f3rico de resultado das companhias compreendendo um horizonte que poderia chegar a 10 anos. Para o investidor americano a recorr\u00eancia e a consist\u00eancia dos resultados, bem como os dividendos distribu\u00eddos contribuem para reduzir o risco do investimento. Pap\u00e9is com des\u00e1gio em rela\u00e7\u00e3o aos seus m\u00faltiplos hist\u00f3ricos geram \u201cmargem de seguran\u00e7a\u201d para o investidor. Esse tipo de investidor descartaria de imediato empresas que n\u00e3o geram lucro.<\/p>\n<p>Mas os tempos s\u00e3o outros e atualmente a corrente majorit\u00e1ria segue a linha dos qualitativos. Quando voc\u00ea, leitor, l\u00ea o m\u00faltiplo P\/L (pre\u00e7o por lucro) em um relat\u00f3rio de corretora, por exemplo, o lucro reportado refere-se ao resultado futuro. \u00c9 comum nesses relat\u00f3rios vermos as proje\u00e7\u00f5es de receita e lucro para os exerc\u00edcios seguintes. Dessa forma, o resultado passado, embora ainda importante, perde relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Esse investidor, em regra, utiliza a metodologia do fluxo de caixa descontado na qual as gera\u00e7\u00f5es de caixa futura s\u00e3o trazidas a valor presente por uma determinada taxa de desconto. Assim, se uma empresa apresenta preju\u00edzos atualmente, mas os resultados esperados forem positivos n\u00e3o haveria raz\u00f5es para n\u00e3o se investir nessa empresa. Outra caracter\u00edstica desse investidor \u00e9 que ele est\u00e1 mais preocupado com o crescimento futuro dos resultados do que com o pagamento corrente de dividendos. Em regra, uma empresa que tem preju\u00edzo n\u00e3o consegue pagar dividendos a n\u00e3o ser que se valha dos resultados gerados em per\u00edodos anteriores e que est\u00e3o contabilizados nas reservas de lucro.<\/p>\n<p>Um ponto que deve ser analisado com cuidado \u00e9 a qualidade do resultado, pois o preju\u00edzo pode ser circunstancial. Por exemplo, uma empresa pode ter apresentado preju\u00edzo no exerc\u00edcio, pois fez a baixa de um ativo que segundo a administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o gerar\u00e1 os resultados esperados quando foi adquirido ou constru\u00eddo. Mas essa despesa \u00e9 meramente cont\u00e1bil e n\u00e3o acontecer\u00e1 nos exerc\u00edcios posteriores. Ajustes para baixo no pre\u00e7o dos estoques tamb\u00e9m pode ter o mesmo efeito negativo sobre o resultado.<\/p>\n<p>Outra an\u00e1lise que deve ser feita \u00e9 sobre as despesas financeiras. Suponha que uma empresa tenha uma d\u00edvida referenciada em d\u00f3lares e ocorra uma deprecia\u00e7\u00e3o acentuada da moeda local. A d\u00edvida \u00e9 atualizada e o ajuste \u00e9 lan\u00e7ado na demonstra\u00e7\u00e3o de resultados, reduzindo o resultado da companhia. Dependo do grau de alavancagem da empresa, essa despesa financeira pode levar a companhia a apresentar preju\u00edzo. Contudo, se o endividamento \u00e9 de longo prazo e n\u00e3o houve amortiza\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, aquela despesa \u00e9 meramente cont\u00e1bil e pode ser revertida posteriormente caso o d\u00f3lar perca for\u00e7a.<\/p>\n<p>Ativos comprados com \u00e1gio tamb\u00e9m geram amortiza\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, decrescendo o resultado. Contudo, essa despesa \u00e9 apenas cont\u00e1bil sem impacto sobre o caixa.<\/p>\n<p>Ocorre ainda de empresas aderirem a programas de refinanciamento de passivos tribut\u00e1rios. Com isso, ocorre um pagamento pontual dos tributos em atraso, reduzindo o resultado no exerc\u00edcio corrente. Entretanto, esse gasto n\u00e3o tende a se repetir nos resultados futuros.<\/p>\n<p>Empresas que passam a ser listadas na bolsa de valores apresentam elevadas despesas de comiss\u00f5es aos bancos de investimentos, corretoras e taxas da bolsa no per\u00edodo da abertura de capital. Esses disp\u00eandios derrubam os resultados, mas n\u00e3o s\u00e3o recorrentes. Assim, o analista n\u00e3o os considerar\u00e1 nas estimativas de resultados.<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 conciliar empresas que j\u00e1 apresentem resultados consistentes e que tenham perspectivas positivas de crescimento do lucro. Mas n\u00e3o se pode descartar de pronto empresas com preju\u00edzo. Por isso, uma an\u00e1lise detalhada do resultado \u00e9 fundamental. Empresas podem estar apresentando preju\u00edzos no curto prazo por motivos meramente pontuais. Al\u00e9m disso, mudan\u00e7as estruturais da economia podem transformar patinhos feios em cisnes. Quem apostou em empresas em vias de privatiza\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 90 obteve excelentes retornos e n\u00e3o se arrependeu de investir em companhias deficit\u00e1rias.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas s\u00e3o criadas para gerar riqueza, n\u00e3o somente para os acionistas, mas tamb\u00e9m para os trabalhadores, fornecedores e para o Estado via tributos. O lucro \u00e9 o objetivo principal de qualquer empresa. Mas nem sempre as companhias alcan\u00e7am suas metas, especialmente em \u00e9pocas de crise como a atual. 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