{"id":2059,"date":"2015-03-16T21:14:06","date_gmt":"2015-03-17T00:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2059"},"modified":"2015-03-16T22:15:47","modified_gmt":"2015-03-17T01:15:47","slug":"contratar-o-einstein-e-custo-ou-investimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2059","title":{"rendered":"Contratar o Einstein \u00e9 custo ou investimento?"},"content":{"rendered":"<p>O post de hoje exige uma dose de fantasia do leitor. Imagine que voc\u00ea fosse dono de uma empresa de alta tecnologia e surgisse a oportunidade de contratar Einstein. Voc\u00ea n\u00e3o leu errado. Ele mesmo, Albert Einstein, quem desenvolveu a teoria da relatividade e ganhou o pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 1921. Mas voc\u00ea \u00e9 adepto de uma opera\u00e7\u00e3o enxuta. Ao se reunir com seu contador, \u00e9 informado que essa aquisi\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser contabilizada como custo (supondo que o f\u00edsico trabalhasse na opera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na \u00e1rea administrativa, pois, dessa forma, o disp\u00eandio seria classificado como despesa). Em resumo, essa contrata\u00e7\u00e3o ir\u00e1 impactar negativamente e de imediato o resultado apesar da prov\u00e1vel melhora no m\u00e9dio prazo fruto da contribui\u00e7\u00e3o do Nobel. Esse exemplo surrealista demonstra como a contabilidade n\u00e3o est\u00e1 preparada para dar conta da Nova Economia do conhecimento.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em 2011, o Brasil adotou as regras cont\u00e1beis internacionais do IFRS (International Financial Reporting Standards). Sob esse novo padr\u00e3o, os ativos e passivos devem ter uma apura\u00e7\u00e3o mais fidedigna, tornando os balan\u00e7os mais realistas. Contudo a contabiliza\u00e7\u00e3o de ativos intang\u00edveis, marca da economia do conhecimento, continua imprecisa.<\/p>\n<p>O livro \u201cValuation, como precificar a\u00e7\u00f5es\u201d de Alexandre P\u00f3voa aborda alguns exemplos desse problema. Suponha que uma empresa farmac\u00eautica (A) gaste bastante com pesquisa e desenvolvimento. Esse disp\u00eandio \u00e9 lan\u00e7ado no resultado como despesa, reduzindo o seu lucro. Caso sua concorrente (B) \u201cinvista\u201d menos em pesquisa, seu resultado tende a ser maior no curto prazo, mas ele ser\u00e1 consistente em um horizonte mais longo? Como sabido, disp\u00eandios com pesquisa tendem a dar resultados no m\u00e9dio prazo, embora impactem negativamente o resultado no curto prazo. Por uma an\u00e1lise est\u00e1tica, o investidor preferir\u00e1 a empresa \u201cb\u201d que deve apresentar um m\u00faltiplo P\/L (pre\u00e7o por lucro) menor. Contudo, provavelmente, essa escolha n\u00e3o ser\u00e1 vitoriosa no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>A contabilidade reflete de forma razo\u00e1vel o segmento industrial cl\u00e1ssico onde m\u00e1quinas e equipamentos s\u00e3o contabilizados como ativo e a m\u00e3o de obra \u00e9 considerada apenas mais um insumo da produ\u00e7\u00e3o como min\u00e9rio de ferro, energia el\u00e9trica, papel, etc. Mas esse modelo mental serve para explicar empresas do conhecimento como o Google? Os PhDs s\u00e3o custo ou ativos geradores de renda no m\u00e9dio prazo? Essa discuss\u00e3o leva muitas pessoas a advogarem que os maiores retornos sobre o ativo (lucro l\u00edquido sobre ativos) ou sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido (lucro l\u00edquido sobre patrim\u00f4nio l\u00edquido) das empresas de servi\u00e7o s\u00e3o derivadas n\u00e3o de um retorno extraordin\u00e1rio desse segmento em compara\u00e7\u00e3o com o setor industrial, mas sim da subavalia\u00e7\u00e3o dos ativos. O principal capital do setor de servi\u00e7os, o intelectual, n\u00e3o transita no ativo.<\/p>\n<p>Esse racioc\u00ednio vale para as gestoras de recurso. Seus ativos mais preciosos s\u00e3o os computadores e o mobili\u00e1rio ou as pessoas que a comp\u00f5em?<\/p>\n<p>O exemplo do Einstein \u00e9 fantasioso (ele morreu h\u00e1 quase 60 anos), mas mostra que se dependesse do seu contador e da sua obsess\u00e3o por corte de custos, o brilhante cientista permaneceria desempregado.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O post de hoje exige uma dose de fantasia do leitor. Imagine que voc\u00ea fosse dono de uma empresa de alta tecnologia e surgisse a oportunidade de contratar Einstein. 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