{"id":2054,"date":"2015-03-09T18:04:40","date_gmt":"2015-03-09T21:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2054"},"modified":"2015-03-09T18:05:07","modified_gmt":"2015-03-09T21:05:07","slug":"ipo-a-perigosa-tese-do-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=2054","title":{"rendered":"IPO: a perigosa tese do crescimento"},"content":{"rendered":"<p>A maioria das empresas que vieram \u00e0 bolsa desde 2004 pediu recursos aos investidores para expandir suas atividades, seja por interm\u00e9dio da aquisi\u00e7\u00e3o de concorrentes ou via crescimento org\u00e2nico. Elas atingiram seus objetivos? Quais deram certo e quais fracassaram?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Sempre que uma empresa decide abrir seu capital na bolsa de valores (IPO, da sigla em ingl\u00eas), a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) exige a disponibiliza\u00e7\u00e3o de in\u00fameras informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o condensadas em um documento chamado \u201cProspecto\u201d. Esse documento \u00e9 elaborado pela companhia emissora das a\u00e7\u00f5es em conjunto com a institui\u00e7\u00e3o financeira l\u00edder da distribui\u00e7\u00e3o. O \u201cProspecto\u201d traz diversas informa\u00e7\u00f5es sobre, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o financeira da empresa, suas atividades, os fatores de risco e as caracter\u00edsticas da oferta.<\/p>\n<p>Entre essas informa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o chamada \u201cDestina\u00e7\u00e3o dos recursos\u201d na qual a empresa indica como gastar\u00e1 os recursos obtidos com a oferta. Grande parte das empresas que vieram a mercado nos \u00faltimos dez anos alegou que o objetivo principal da abertura de capital era consolidar o seu segmento de atua\u00e7\u00e3o. O discurso das empresas tem sido parecido: por atuarem em um setor pulverizado, cujo l\u00edder possui pequena participa\u00e7\u00e3o no mercado, a inje\u00e7\u00e3o de recursos propicia a compra de empresas concorrentes, o que traz ganhos de escala com reflexos positivos sobre o crescimento dos resultados e sobre as margens operacionais.<\/p>\n<p>O blog \u201cO Estrategista\u201d analisou 12 empresas de diversos setores que vieram a mercado nesses \u00faltimos anos abra\u00e7ando a tese do crescimento: Hypermarcas (HYPE3), do segmento de cosm\u00e9ticos, JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3), de alimentos, Kroton (KROT3) e Est\u00e1cio (ESTC3), de educa\u00e7\u00e3o, Dasa (DASA3) e Fleury (FLRY3), do setor de an\u00e1lises cl\u00ednicas, BR Malls (BRML3), de shoppings, Brasil Pharma (BPHA3) e Raia Drogasil (RADL3), de farm\u00e1cia, Totvs (TOTS3), do setor de tecnologia, e Tegma (TGMA3), de log\u00edstica.<\/p>\n<p>De acordo com o modelo de Gordon, o pre\u00e7o atual da a\u00e7\u00e3o \u00e9 dado pela divis\u00e3o dos dividendos no exerc\u00edcio posterior pela taxa de desconto menos o crescimento m\u00e9dio anual do lucro por a\u00e7\u00e3o (LPA). Utilizei dados do LPA dos \u00faltimos cinco anos entre dezembro de 2009 e dezembro de 2014. Para as empresas que ainda n\u00e3o entregaram demonstra\u00e7\u00f5es financeiras do ano fechado de 2014, utilizei o LPA dos \u00faltimos 12 meses anteriores a setembro de 2014. No caso de BRMalls, foi utilizado o lucro operacional por a\u00e7\u00e3o, pois a reavalia\u00e7\u00e3o anual dos im\u00f3veis tem gerado muita volatilidade no lucro l\u00edquido. Para a cota\u00e7\u00e3o, peguei os pre\u00e7os de 30 de dezembro de 2009, com algumas exce\u00e7\u00f5es, e os de 6 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-2055\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA-1024x642.jpg\" alt=\"Chassi\" width=\"625\" height=\"392\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA-1024x642.jpg 1024w, wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA-300x188.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA-624x391.jpg 624w, wp-content\/uploads\/2015\/03\/LPA.jpg 1138w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Das empresas analisadas, seis (Hypermarcas, Marfrig, Dasa, Fleury, Brasil Pharma e Tegma) n\u00e3o conseguiram entregar resultados consistentes e, por consequ\u00eancia, suas a\u00e7\u00f5es tiveram desempenhos sofr\u00edveis no per\u00edodo. J\u00e1 as restantes fizeram seu LPA crescer e, com isso, a cota\u00e7\u00e3o apresentou desempenho satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Interessante notar que n\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o. Em alguns casos, embora pertencentes ao mesmo segmento econ\u00f4mico, as empresas apresentaram resultados distintos. JBS teve crescimento do LPA de 470,3% em cinco anos e a a\u00e7\u00e3o se valorizou 40,9%. J\u00e1 Marfrig, ainda \u00e0s voltas com preju\u00edzo, viu sua a\u00e7\u00e3o cair 77,5% no mesmo per\u00edodo. No setor farmac\u00eautico, o desempenho de Raia Drogasil \u00e9 not\u00e1vel, mas o de Brasil Pharma \u00e9 p\u00edfio. A empresa continua apresentando preju\u00edzo e a a\u00e7\u00e3o caiu 87% entre 27 de julho de 2011 e 6 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p>Em outros, todo o setor sofre. No segmento de an\u00e1lises cl\u00ednicas, ambas Dasa e Fleury t\u00eam decepcionado. A primeira teve crescimento do LPA de apenas 5,7% em cinco anos, enquanto Fleury, queda de 40%. Com isso, DASA3 se desvalorizou 16% e FLRY perdeu 25% entre dezembro de 2009 e 6 de mar\u00e7o passado.<\/p>\n<p>Por outro lado, o setor de educa\u00e7\u00e3o pode se orgulhar. Tanto Kroton quanto Est\u00e1cio tem apresentado crescimento vigoroso do resultado, o que se reflete no desempenho positivo das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A empresa deve tomar cuidado ao buscar o crescimento via aquisi\u00e7\u00f5es, pois a emiss\u00e3o de novas a\u00e7\u00f5es muitas vezes \u00e9 superior ao crescimento do lucro, o que leva a uma redu\u00e7\u00e3o do LPA e, como consequ\u00eancia, \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o dos acionistas originais. Por exemplo, Hypermarcas apresentou crescimento do lucro consolidado de 41% nos \u00faltimos cinco anos, mas queda de 6% no LPA. O investidor deve estar atento ao LPA e n\u00e3o apenas ao lucro total.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as culturais, de controle, aumento do endividamento e exig\u00eancias regulat\u00f3rias podem frustrar a tese de crescimento via aquisi\u00e7\u00e3o. E quem sente as consequ\u00eancias \u00e9 o bolso do investidor.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria das empresas que vieram \u00e0 bolsa desde 2004 pediu recursos aos investidores para expandir suas atividades, seja por interm\u00e9dio da aquisi\u00e7\u00e3o de concorrentes ou via crescimento org\u00e2nico. Elas atingiram seus objetivos? 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