{"id":1802,"date":"2014-08-12T09:13:32","date_gmt":"2014-08-12T12:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1802"},"modified":"2014-08-12T09:20:39","modified_gmt":"2014-08-12T12:20:39","slug":"como-a-nova-economia-pode-afetar-a-bolsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1802","title":{"rendered":"Como a Nova Economia pode afetar a bolsa?"},"content":{"rendered":"<p>Analistas e gestores desconsideram em suas an\u00e1lises temas de destaque na imprensa como altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e o aquecimento global. De que forma o arrefecimento estrutural do crescimento econ\u00f4mico e quest\u00f5es ambientais podem afetar o investimento em a\u00e7\u00f5es e na Petrobras em particular?<\/p>\n<p><!--more--><!--more--><\/p>\n<p>Esse post n\u00e3o deve interessar aos investidores de curto prazo. Contudo mudan\u00e7as estruturais da economia podem comprometer o desempenho da bolsa no longo prazo.<\/p>\n<p>A primeira mudan\u00e7a \u00e9 a poss\u00edvel queda do crescimento potencial das economias dos pa\u00edses desenvolvidos. Algumas raz\u00f5es estruturais podem explicar o fen\u00f4meno. Economistas como Robert Gordon, da Universidade Northwestern, do Estado americano de Illionois, vem defendendo a tese de que as grandes inven\u00e7\u00f5es como os avan\u00e7os no saneamento b\u00e1sico e nos transportes s\u00e3o coisas do passado. O futuro \u00e9 de inova\u00e7\u00f5es mais modestas o que tende a reduzir o ritmo do crescimento da produtividade e, com isso, do crescimento da economia. Al\u00e9m disso, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o atua contrariamente ao crescimento por sobrecarregar o or\u00e7amento do governo, reduzindo, com isso, os investimentos p\u00fablicos. Por fim, a crise de 2008 parece ter eliminado uma importante alavanca do crescimento: o endividamento. Os consumidores e as empresas parecem estar mais conservadores.<\/p>\n<p>Caso se confirme uma evolu\u00e7\u00e3o mais lenta da economia, as empresas ter\u00e3o mais dificuldades de incrementar seus resultados o que deve afetar o desempenho de suas a\u00e7\u00f5es. Segundo o modelo de Gordon, o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o dos dividendos distribu\u00eddos no ano seguinte (D1), da taxa de juros da economia (k) e do crescimento do lucro por a\u00e7\u00e3o (g). Quanto maiores os dividendos e o crescimento do lucro por a\u00e7\u00e3o e menor a taxa de desconto, maior o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o e vice versa. Assim, a percep\u00e7\u00e3o de que a economia poder\u00e1 ratear no m\u00e9dio prazo e, como consequ\u00eancia, desacelerar o lucro das companhias ter\u00e1 o efeito de reduzir a rentabilidade da bolsa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/p_d1_kg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1191\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/p_d1_kg.jpg\" alt=\"p_d1_kg\" width=\"90\" height=\"60\" \/><\/a><\/p>\n<p>Outro aspecto negligenciado pelos analistas s\u00e3o as restri\u00e7\u00f5es ambientais, tema relevante em \u00e9pocas de aquecimento global. Martin Wolf, analista econ\u00f4mico do Financial Times, se preocupou com o assunto no artigo \u201cAjuste clim\u00e1tico arru\u00edna investidores\u201d, publicado no Valor Econ\u00f4mico de 19 de junho. Segundo Wolf, como \u201cqueimar as reservas conhecidas de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 incompat\u00edvel com o crescimento das metas clim\u00e1ticas fixadas pelos pr\u00f3prios governos, (&#8230;) os investidores prudentes deveriam aplicar um desconto tanto ao valor dessas reservas quanto aos retornos gerados pelos novos investimentos nesse setor. \u00c9 poss\u00edvel que boa parte desses gastos adicionais se mostre infrut\u00edfera.\u201d Por outro lado, as petrol\u00edferas n\u00e3o vislumbram um cen\u00e1rio de baixo carbono em decorr\u00eancia do potencial limitado das fontes renov\u00e1veis em decorr\u00eancia das dificuldades de produzir em escala, da dispers\u00e3o geogr\u00e1fica, da intermit\u00eancia (no caso da energia solar e e\u00f3lica) e do custo em rela\u00e7\u00e3o a outras fontes confi\u00e1veis. Os investidores, por ora, tamb\u00e9m parecem n\u00e3o acreditar nos compromissos clim\u00e1ticos assumidos pelo governo n\u00e3o dando qualquer desconto quando analisam as a\u00e7\u00f5es de empresas do setor.<\/p>\n<p>Caso levemos em conta esses aspectos, os problemas da Petrobras v\u00e3o muito al\u00e9m do represamento do repasse de pre\u00e7o dos derivados e investimentos desastrosos como o da refinaria de Pasadena.<\/p>\n<p>Mesmo sob a amea\u00e7a de uma ruptura clim\u00e1tica que pode afetar a vida no planeta, os investidores n\u00e3o ir\u00e3o se preocupar com aspectos clim\u00e1ticos por enquanto. A falta de uma fonte de energia alternativa vi\u00e1vel economicamente continuar\u00e1 favorecendo as empresas petrol\u00edferas. Al\u00e9m disso, os analistas, em seus modelos de \u201cvaluation\u201d, estimam receitas pelo per\u00edodo \u00fatil dos po\u00e7os, n\u00e3o adotando um valor para a perpetuidade (*). Assim, a vis\u00e3o de curto prazo, caracter\u00edstica do mercado financeiro, deve continuar prevalecendo. Isso n\u00e3o \u00e9 racional, mas quem disse que o mercado age sob os ditames da raz\u00e3o?<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio de baixo crescimento, al\u00e9m de controverso, ele deve afetar primeiramente as economias mais avan\u00e7adas. E se esse for o cen\u00e1rio, o Brasil pode se beneficiar, pois os investidores tendem a procurar as bolsas de pa\u00edses com perspectivas de crescimento, especialmente as de pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>(*) Como a maioria das empresas continuar\u00e3o suas atividades ap\u00f3s o per\u00edodo de 10 anos usado geralmente na metodologia do fluxo de caixa descontado, os analistas calculam um valor para a perpetuidade com base na gera\u00e7\u00e3o de caixa do d\u00e9cimo ano. Contudo, para empresas de concess\u00e3o o per\u00edodo de an\u00e1lise equivale ao da dura\u00e7\u00e3o do contrato e para petrol\u00edferas e mineradoras \u00e0 exaust\u00e3o das reservas.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Analistas e gestores desconsideram em suas an\u00e1lises temas de destaque na imprensa como altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e o aquecimento global. 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