{"id":1769,"date":"2014-07-15T23:57:20","date_gmt":"2014-07-16T02:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1769"},"modified":"2014-08-01T00:03:01","modified_gmt":"2014-08-01T03:03:01","slug":"existe-risco-regulatorio-no-setor-eletrico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1769","title":{"rendered":"Existe risco regulat\u00f3rio no setor el\u00e9trico brasileiro?"},"content":{"rendered":"<p>A ANEEL (Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica) na nota t\u00e9cnica para defini\u00e7\u00e3o da taxa de rentabilidade a ser utilizada no quarto ciclo de revis\u00f5es peri\u00f3dicas das concession\u00e1rias de distribui\u00e7\u00e3o de energia explica porque n\u00e3o incluiu um adicional de risco regulat\u00f3rio na f\u00f3rmula da tarifa. A ag\u00eancia est\u00e1 correta? As a\u00e7\u00f5es das empresas brasileiras do setor el\u00e9trico negociam com desconto em decorr\u00eancia da exist\u00eancia de um risco regulat\u00f3rio no setor? Em outras palavras, os investidores para adquirirem essas a\u00e7\u00f5es pedem uma redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o devido a interfer\u00eancias governamentais?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A ANEEL cita alguns motivos que a levaram a n\u00e3o adotar um adicional de risco regulat\u00f3rio no c\u00e1lculo da tarifa.<\/p>\n<p>Primeiro, a Aneel considera o processo brasileiro mais transparente e mais imune a press\u00f5es pol\u00edticas do que o americano. Como discutido no post de ontem \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/entendendo-a-taxa-de-desconto\/\">Entendendo a taxa de desconto<\/a>\u201d, a Aneel utiliza o mercado acion\u00e1rio norte americano para c\u00e1lculo de algumas vari\u00e1veis como o beta das a\u00e7\u00f5es e a taxa livre de risco.<\/p>\n<p>Segundo a nota t\u00e9cnica, s\u00e3o observadas as seguintes pr\u00e1ticas nos Estados Unidos: (i) inexist\u00eancia de regras predefinidas para c\u00e1lculos tarif\u00e1rios, (ii) interfer\u00eancia pol\u00edtica na defini\u00e7\u00e3o das tarifas, pois a regula\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em n\u00edveis estaduais, (iii) a exist\u00eancia de comiss\u00f5es regulat\u00f3rias eleitas por consumidores, (iv) a n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das tarifas e (v) a diversidade de metodologias para defini\u00e7\u00e3o do custo de capital. J\u00e1 no caso brasileiro existem: (i) garantia de repasse integral para grande parcela dos custos incorridos pelas distribuidoras, (ii) regras predefinidas de reajuste e revis\u00e3o tarif\u00e1ria, (iii) possibilidade de revis\u00e3o extraordin\u00e1ria, (iv) uniformiza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos aplic\u00e1veis a cada empresa, (v) previsibilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 periodicidade dos c\u00e1lculo tarif\u00e1rios e (vi) regula\u00e7\u00e3o por autarquia aut\u00f4noma e independente.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o citada pela ag\u00eancia brasileira para n\u00e3o incluir um pr\u00eamio de risco regulat\u00f3rio \u00e9 que o \u00edndice setorial BM&amp;FBovespa Energia El\u00e9trica \u2013 IEE apresentou rentabilidade bem superior a do Ibovespa entre 25 de abril de 1997 e 8 de abril de 2014. Uma unidade monet\u00e1ria aplicada no primeiro dia da s\u00e9rie traria um retorno de 9,36 unidades se aplicada no IEE e 5,30 se alocada no Ibovespa. Se utilizarmos um per\u00edodo mais curto de cinco anos, o IEE ainda \u00e9 mais rent\u00e1vel , 1,57 versus 1,27 do Ibovespa.<\/p>\n<p>Contudo, a pr\u00f3pria ANEEL reconhece que os \u201crendimentos acumulados pelo IEE em rela\u00e7\u00e3o ao Ibovespa por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 suficiente para que se chegue a conclus\u00f5es sobre o risco espec\u00edfico do setor el\u00e9trico brasileiro\u201d. Para tanto, a ag\u00eancia considera que \u00e9 necess\u00e1rio avaliar como se comportou a volatilidade relativa das a\u00e7\u00f5es do setor el\u00e9trico. Logo se precisaria comparar o beta do IEE com o do Ibovespa: \u201cSe o risco do IEE for superior ao risco do Ibovespa, ou seja, se o beta do IEE em rela\u00e7\u00e3o ao Ibovespa for maior do que 1, (\u2026) haver\u00e1 um indicativo de que a regula\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico implica maior risco e, assim, maior retorno, relativamente ao \u00b4mercado brasileiro`\u201d. Contudo, o beta do IEE em rela\u00e7\u00e3o ao Ibovespa nos \u00faltimos cinco anos foi inferior a uma vez (0,43). Al\u00e9m disso, o beta do setor vis-\u00e0-vis o Ibovespa \u00e9 decrescente nos \u00faltimos anos, mesmo com a edi\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da pol\u00eamica MP 579 que regulou a renova\u00e7\u00e3o das geradoras el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Esse argumento de que como o beta do IEE e o das empresas el\u00e9tricas em rela\u00e7\u00e3o ao Ibovespa s\u00e3o menores do que \u201cum\u201d indica a n\u00e3o exist\u00eancia de risco regulat\u00f3rio me parece fraco. Primeiro porque o Ibovespa \u00e9 concentrado em poucas empresas e setores \u2013 especialmente petr\u00f3leo, minera\u00e7\u00e3o e banc\u00e1rio. Logo um aumento do risco desses setores em rela\u00e7\u00e3o ao el\u00e9trico j\u00e1 faria com que o beta das empresas el\u00e9tricas fosse menor do que um, mas isso n\u00e3o significa que o risco regulat\u00f3rio do setor seria nulo. Al\u00e9m disso, a caracter\u00edstica do setor el\u00e9trico de forte gera\u00e7\u00e3o de caixa implica necessariamente em um beta menor. Esse atributo \u00e9 intr\u00ednseco ao setor. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o significa que a regula\u00e7\u00e3o foi eficiente. Uma \u201coutra regula\u00e7\u00e3o\u201d poderia at\u00e9 fazer com que a gera\u00e7\u00e3o de caixa fosse ainda maior e, como consequ\u00eancia, o beta seria muito menor.<\/p>\n<p>Para definir se h\u00e1 ou n\u00e3o risco regulat\u00f3rio, eu prefiro comparar o m\u00faltiplo P\/L 2015 (pre\u00e7o divido pelo lucro esperado para 2015) das empresas el\u00e9tricas americanas utilizadas no estudo da ANEEL com o das brasileiras. A ag\u00eancia usou para c\u00e1lculo do beta do setor dados de 14 companhias americanas. A mediana do m\u00faltiplo dessas empresas, obtido do sistema de an\u00e1lise fundamentalista S&amp;P Capital IQ, foi de 15,2 vezes. J\u00e1 a de oito empresas nacionais foi de 8,5 vezes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1772\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11-1024x825.jpg\" alt=\"Cias brasileiras\" width=\"625\" height=\"503\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11-1024x825.jpg 1024w, wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11-300x241.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11-624x502.jpg 624w, wp-content\/uploads\/2014\/07\/Cias-brasileiras-11.jpg 1164w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dois pontos devem ser destacados. O m\u00faltiplo das brasileiras merece um desconto dado o diferencial de risco pa\u00eds entre Brasil e Estados Unidos (veja o post \u201c<a href=\"https:\/\/estrategista.net\/comparando-o-multiplo-pl-entre-paises\/\">Comparando o m\u00faltiplo P\/L entre pa\u00edses<\/a>\u201d de 15 de agosto de 2012) e as empresas brasileiras n\u00e3o s\u00e3o distribuidoras puras. Mas um desconto de 44% \u00e9 exagerado e pode sim indicar, ao contr\u00e1rio do que argumenta a ANEEL, que existe um risco regulat\u00f3rio no setor el\u00e9trico brasileiro se comparado ao mercado norte americano.<\/p>\n<p><em>Temos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ANEEL (Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica) na nota t\u00e9cnica para defini\u00e7\u00e3o da taxa de rentabilidade a ser utilizada no quarto ciclo de revis\u00f5es peri\u00f3dicas das concession\u00e1rias de distribui\u00e7\u00e3o de energia explica porque n\u00e3o incluiu um adicional de risco regulat\u00f3rio na f\u00f3rmula da tarifa. A ag\u00eancia est\u00e1 correta? 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