{"id":1740,"date":"2014-06-01T20:45:04","date_gmt":"2014-06-01T23:45:04","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1740"},"modified":"2014-06-01T20:45:04","modified_gmt":"2014-06-01T23:45:04","slug":"a-esquizofrenica-industria-de-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1740","title":{"rendered":"A esquizofr\u00eanica ind\u00fastria de investimentos"},"content":{"rendered":"<p>Imagine que voc\u00ea fez uma viagem ao exterior e se deparou com produtos de alta qualidade e, melhor, baratos. Mas a grana estava curta e voc\u00ea n\u00e3o pode aproveitar a oportunidade. Tempos depois, voc\u00ea retorna ao mesmo lugar e, dessa vez, prevenido, leva dinheiro para ir \u00e0s compras. Contudo, para sua decep\u00e7\u00e3o, os mesmos produtos que antes eram barganhas est\u00e3o bem mais caros. Essa met\u00e1fora serve para exemplificar a situa\u00e7\u00e3o do gestor de fundos, por exemplo. Nas crises, quando ativos de qualidade como a\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos p\u00fablicos e privados se encontram depreciados, o gestor n\u00e3o recebe dinheiro novo dos clientes para adquirir as pechinchas. Pelo contr\u00e1rio, os investidores resgatam seus recursos, fazendo com que o gestor siga a manada vendendo os ativos baratos que fazem parte do fundo. Por outro lado, em momentos de calmaria, os ativos est\u00e3o bem precificados e, em muitos casos, acima dos seus valores justos. \u00c9 nessa hora que os gestores s\u00e3o agraciados com novos recursos sendo aportados no fundo. Esse administrador de carteira, embora reticente, vai \u00e0s compras, contribuindo para tornar os ativos ainda mais caros. Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil fazer o certo: comprar na baixa e vender na alta?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica pr\u00f3-c\u00edclica \u00e9 comum a qualquer classe de ativos. Nos fundos \u201cprivate equity\u201d, aqueles que investem em empresas fechadas, ocorre o mesmo. Quando os ativos est\u00e3o depreciados n\u00e3o ocorrem novos aportes. Mas basta o cen\u00e1rio clarear para os investidores correrem para esses fundos.<\/p>\n<p>O mercado acion\u00e1rio parece ser o que mais sofre com a irracionalidade dos agentes. Vol\u00e1til por natureza, o valor de mercado das empresas oscila ao sabor das not\u00edcias. O que \u00e9 preciso entender \u00e9 que a empresa possui dois valores distintos: quanto ela vale realmente, representado pelo valor justo e o valor corrente definido pelas intera\u00e7\u00f5es entre as ordens de compra e de venda, o valor de mercado. O valor justo n\u00e3o tende a sofrer grandes oscila\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, mas o valor de mercado \u00e9 v\u00edtima dos humores dos investidores e das not\u00edcias. Assim, \u00e9 preciso ter em mente, n\u00e3o o valor de mercado, mas o valor justo. Quando o valor de mercado ficar muito abaixo do valor justo, a\u00ed sim, a compra deve ser feita. Adotando essa estrat\u00e9gia, o investidor diminui o risco do seu investimento. E, em regra, o valor de mercado fica atraente em momentos de crise.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter escutado falar na NTN-B, t\u00edtulo p\u00fablico federal vendido no Tesouro Direto. Esse t\u00edtulo rende o \u00edndice inflacion\u00e1rio IPCA mais um cupom, que nada mais \u00e9 do que os juros reais. Pois bem. Atualmente a NTN-B principal com vencimento em 2035 que n\u00e3o distribui juros ao longo do investimento est\u00e1 pagando IPCA mais 6% ao ano. H\u00e1 cerca de dois anos, os juros reais estavam menores do que 4% ao ano e o interesse pelo ativo era grande. Hoje, a demanda \u00e9 bem menor porque o investidor est\u00e1 preocupado com os rumos do atual governo. Esse receio \u00e9 irracional. Caso ele mantenha esse investimento at\u00e9 o vencimento, os juros de 6% ao ano est\u00e3o garantidos. O \u00fanico risco seria um calote do governo, evento que n\u00e3o ocorreu nem durante o Plano Collor. Algu\u00e9m pode alegar: \u201cmas faltam 21 anos!\u201d Para quem j\u00e1 passou dos 40 sabe que \u201ca vida \u00e9 como um rato passando na sala\u201d como diz o dramaturgo Domingos de Oliveira. O tempo simplesmente voa. Por isso, n\u00e3o faz sentido para um investidor de 45 anos que j\u00e1 tenha uma reserva substancial, adquirir esses t\u00edtulos e tentar carreg\u00e1-los at\u00e9 a sua aposentadoria aos 66 anos? Com o aumento da expectativa de vida e como a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui um sistema previdenci\u00e1rio que garanta o sal\u00e1rio integral da ativa na aposentadoria, pensar no longo prazo \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>As finan\u00e7as comportamentais tentam responder a esse instinto de manada do investidor. O ser humano \u00e9 greg\u00e1rio. Ele quer pertencer a um grupo. Assim, como comprar algo se a maioria das pessoas est\u00e1 fazendo o contr\u00e1rio? Al\u00e9m disso, ningu\u00e9m gosta de perder sozinho. Imagine se o ativo micar e voc\u00ea for o \u00fanico a amargar o preju\u00edzo! J\u00e1 se voc\u00ea vender junto com a maioria, foi \u201cesperto\u201d. No sentido inverso, caso o ativo se aprecie, voc\u00ea n\u00e3o ganhou, mas a maior parte dos investidores tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil conviver com manchetes negativas e pensar o longo prazo. Al\u00e9m disso, as novas m\u00eddias amplificam o notici\u00e1rio. O presente acaba dominando. Isso tem gerado uma postura de curto prazo tanto dos gestores quanto dos investidores. Em apresenta\u00e7\u00e3o no 7\u00ba Congresso Value Investing Brasil, realizado em S\u00e3o Paulo h\u00e1 duas semanas, Luiz Francisco Guerra da \u201cfamily office\u201d Pragma Investimentos mostrou dados interessantes sobre a ind\u00fastria de fundos norte americana. Em 1945, um gestor mantinha os ativos em m\u00e9dia por um per\u00edodo entre seis e sete anos. Hoje, esse prazo se reduziu para apenas um ano. Mas essa ansiedade n\u00e3o atinge apenas os gestores. Os aplicadores mant\u00eam as cotas de seus fundos, na m\u00e9dia, por apenas dois anos.<\/p>\n<p>Em uma palestra, Luiz Carlos Mendon\u00e7a de Barros, ex ministro das telecomunica\u00e7\u00f5es e atual s\u00f3cio da Quest Investimentos, mostrou como a experi\u00eancia conta para encarar momentos turbulentos: \u201cTenho 70 anos. N\u00e3o acredito mais no fim do capitalismo nem no fim do mundo\u201d.<\/p>\n<p><em>Temos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para<\/em><em> todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine que voc\u00ea fez uma viagem ao exterior e se deparou com produtos de alta qualidade e, melhor, baratos. 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