{"id":1372,"date":"2014-01-27T10:34:26","date_gmt":"2014-01-27T13:34:26","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1372"},"modified":"2014-01-27T10:34:36","modified_gmt":"2014-01-27T13:34:36","slug":"na-bolsa-brasileira-o-que-e-melhor-a-gestao-ativa-ou-passiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1372","title":{"rendered":"Na bolsa brasileira, o que \u00e9 melhor: a gest\u00e3o ativa ou passiva?"},"content":{"rendered":"<p>Importantes autores como Benjamin Graham e Jeremy Siegel defendem a tese de que o investidor comum deve atuar no mercado acion\u00e1rio de forma passiva, ou seja, comprando fundos ou carteiras que espelhem os \u00edndices de mercado. Essa recomenda\u00e7\u00e3o vale para o mercado brasileiro? A experi\u00eancia dos \u00faltimos cinco anos mostra que n\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 1973 do livro \u201cO Investidor Inteligente\u201d, Benjamin Graham desconfiava da possibilidade de o investidor obter ganhos superiores \u00e0 m\u00e9dia de mercado: \u201dPor muitas d\u00e9cadas, um investidor empreendedor poderia esperar uma recompensa valiosa por sua capacidade e seu esfor\u00e7o adicionais na forma de um rendimento m\u00e9dio acima daquele obtido pelo investidor passivo. Temos d\u00favidas a respeito da exist\u00eancia de uma recompensa adicional realmente substancial para o investidor ativo nas condi\u00e7\u00f5es de hoje\u201d.<\/p>\n<p>O Professor Jeremy J. Siegel na edi\u00e7\u00e3o de 2008 do conceituado livro \u201cStocks for the Long Run\u201d, chega \u00e0 conclus\u00e3o semelhante: \u201cMuitos dizem que seguir o desempenho m\u00e9dio de mercado n\u00e3o \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia. (&#8230;) Infelizmente, o desempenho passado da imensa maioria dos fundos ativos n\u00e3o suporta essa tese. (&#8230;) De janeiro de 1971 at\u00e9 dezembro de 2006, a m\u00e9dia dos fundos de a\u00e7\u00f5es apresentaram desempenho de 10,49% ao ano, 1.06 ponto percentual inferior ao Wilshire 5000 e 1.04 ponto percentual atr\u00e1s do \u00edndice S&amp;P500.\u201d<\/p>\n<p>As poss\u00edveis causas para esse mau desempenho perante os \u00edndices de mercado podem derivar: (i) da incid\u00eancia de taxas e de custos de transa\u00e7\u00e3o, (ii) da teoria do mercado eficiente, no qual os pre\u00e7os dos ativos j\u00e1 refletiriam todas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e\/ou (iii) da busca por a\u00e7\u00f5es de companhias que apresentem melhores perspectivas de crescimento e gest\u00e3o, mas que, por essa raz\u00e3o, j\u00e1 apresentam pre\u00e7os esticados.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 cr\u00edticos ao investimento passivo em \u00edndices. Indicadores de mercado que levem em conta o valor de mercado das empresas acabam por atrair a\u00e7\u00f5es de empresas que apresentaram boa performance recente o que pode significar que essas a\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o bem precificadas.<\/p>\n<p>No Brasil, a ANBIMA (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) classifica os fundos de a\u00e7\u00f5es em 11 categorias. Em uma delas, \u201cA\u00e7\u00f5es Livre\u201d, o gestor possui discricionariedade para selecionar as a\u00e7\u00f5es que far\u00e3o parte do seu portf\u00f3lio.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, os fundos \u201cA\u00e7\u00f5es Livre\u201d bateram o Ibovespa em quatro oportunidades e apresentaram desempenho acumulado no per\u00edodo de 121,5% contra 37,2% do Ibovespa. Apenas na recupera\u00e7\u00e3o da bolsa, ap\u00f3s a crise do suprime, o Ibovespa venceu os fundos \u201cA\u00e7\u00f5es Livre\u201d: 82,7% versus 74,2%.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1373\" alt=\"fundos livres-1\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1-1024x602.jpg\" width=\"625\" height=\"367\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1-1024x602.jpg 1024w, wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1-300x176.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1-600x352.jpg 600w, wp-content\/uploads\/2014\/01\/fundos-livres-1-624x366.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Embora, o per\u00edodo de compara\u00e7\u00e3o seja curto, gostaria de fazer algumas provoca\u00e7\u00f5es. Como o Ibovespa \u00e9 (i) concentrado em poucas companhias e setores, sendo alguns deles de caracter\u00edstica c\u00edclica (petr\u00f3leo, financeiro e minera\u00e7\u00e3o) e (ii) apresenta diversas empresas de controle estatal, cujas atividades s\u00e3o influenciadas por objetivos pol\u00edticos e n\u00e3o apenas a obten\u00e7\u00e3o do lucro, a escolha seletiva dos pap\u00e9is que compor\u00e3o a carteira pode fazer mais sentido do que a simples compra do \u00edndice. Al\u00e9m disso, como a bolsa brasileira \u00e9 uma das mais l\u00edquidas entre os mercados acion\u00e1rios de pa\u00edses emergentes, seu desempenho acaba tendo maior correla\u00e7\u00e3o com o risco pa\u00eds do que em outras \u00a0jurisdi\u00e7\u00f5es. Em um momento de otimismo, o Ibovespa sobe al\u00e9m do que seria razo\u00e1vel, mas, por outro lado, passa a sofrer de maneira mais acentuada quando o sentimento em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds muda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Importantes autores como Benjamin Graham e Jeremy Siegel defendem a tese de que o investidor comum deve atuar no mercado acion\u00e1rio de forma passiva, ou seja, comprando fundos ou carteiras que espelhem os \u00edndices de mercado. Essa recomenda\u00e7\u00e3o vale para o mercado brasileiro? 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