{"id":1349,"date":"2014-01-12T21:48:00","date_gmt":"2014-01-13T00:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1349"},"modified":"2014-01-12T22:06:35","modified_gmt":"2014-01-13T01:06:35","slug":"o-fracasso-de-benjamin-graham-na-bolsa-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1349","title":{"rendered":"O fracasso (?) de Benjamin Graham na bolsa atual"},"content":{"rendered":"<p>O cultuado investidor Benjamin Graham n\u00e3o tem feito muito sucesso. Sua estrat\u00e9gia parece antiquada. Ao contr\u00e1rio da maioria dos gestores atuais, Graham n\u00e3o fazia proje\u00e7\u00f5es dos resultados das empresas. Seus c\u00e1lculos se baseavam nos lucros pret\u00e9ritos. Graham buscava a\u00e7\u00f5es de empresas s\u00f3lidas a pre\u00e7os m\u00f3dicos. Hoje, a quest\u00e3o do pre\u00e7o parece secund\u00e1ria. A\u00e7\u00f5es caras s\u00e3o compradas na expectativa do crescimento futuro dos resultados das companhias. Mas se as li\u00e7\u00f5es de Graham podem n\u00e3o ter sido suficientes para a escolha das a\u00e7\u00f5es de melhor desempenho nos \u00faltimos anos, elas impediram que os investidores aplicassem em pap\u00e9is como as da petroleira OGX, por exemplo, que causaram enormes preju\u00edzos. Somente por essa contribui\u00e7\u00e3o, a leitura de Graham j\u00e1 seria fundamental.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No j\u00e1 lend\u00e1rio e imprescind\u00edvel livro \u201cO investidor Inteligente\u201d, Benjamin Graham classificava os investidores em dois tipos: (i) o defensivo ou passivo e (ii) o empreendedor ou ativo ou agressivo.\u00a0 O primeiro n\u00e3o dedica muito tempo na an\u00e1lise das a\u00e7\u00f5es. Ele \u201cprocurar\u00e1, principalmente, evitar perdas ou erros graves\u201d. Por sua vez, \u201co tra\u00e7o determinante do investidor empreendedor \u00e9 sua vontade de dedicar tempo e dar apuro \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos que sejam seguros e mais atraentes do que \u00e0 m\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>A pedra basilar da estrat\u00e9gia de Graham \u00e9 comprar a\u00e7\u00f5es baratas. Mas como definir se uma a\u00e7\u00e3o est\u00e1 cara ou barata? Segundo Graham, pela an\u00e1lise de m\u00faltiplos como o P\/VPA (pre\u00e7o por valor patrimonial por a\u00e7\u00e3o), o P\/L (pre\u00e7o por lucro) e pelo retorno com dividendos (\u201cdividend yield\u201d). Graham era c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proje\u00e7\u00e3o de resultados, logo seus m\u00faltiplos eram calculados com base nos resultados hist\u00f3ricos. Na edi\u00e7\u00e3o do livro de 1973, Graham j\u00e1 reconhecia que a maioria dos investidores faziam seus c\u00e1lculos com base nos resultados futuros. Hoje, mais do que nunca, a utiliza\u00e7\u00e3o dos m\u00faltiplos com resultados projetados \u00e9 quase un\u00e2nime. N\u00e3o critico a estrat\u00e9gia, mas o leitor\/investidor tem que estar consciente dos riscos dessa escolha.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 14 \u201cA escolha de a\u00e7\u00f5es para o investidor defensivo\u201d, Graham recomendava a esse tipo de investidor duas poss\u00edveis abordagens.Na primeira, ele deveria comprar uma carteira que replicasse um dos principais indicadores do mercado \u00a0&#8211; o \u00edndice Industrial Dow Jones. Embora essa t\u00e1tica possa fazer sentido no mercado americano no qual o \u00edndice \u00e9 diversificado setorialmente, essa estrat\u00e9gia \u00e9 perigosa no Brasil, cujos principais referenciais &#8211; o Ibovespa e o IBrX &#8211; s\u00e3o concentrados em alguns poucos setores como o de commodities, el\u00e9trico e o financeiro.\u00a0 J\u00e1 a segunda abordagem pode ser interessante para o investidor brasileiro. Graham recomendava \u201caplicar uma bateria de testes a cada compra para se certificar de obter (1) um m\u00ednimo de qualidade no desempenho passado e na posi\u00e7\u00e3o financeira atual da companhia e tamb\u00e9m (2) um m\u00ednimo de quantidade em termos de lucros e ativos por cada d\u00f3lar do pre\u00e7o\u201d. No primeiro teste se verificaria a evolu\u00e7\u00e3o dos resultados da empresa nos \u00faltimos anos e sua situa\u00e7\u00e3o financeira atual. Graham dava muito import\u00e2ncia ao capital de giro (ativo circulante menos passivo circulante) e ao n\u00edvel de endividamento. No segundo, a an\u00e1lise por m\u00faltiplos, privilegiando aquelas a\u00e7\u00f5es que apresentassem menores indicadores.<\/p>\n<p>Graham recomendava ao investidor defensivo observar sete crit\u00e9rios caso adotasse a segunda abordagem:<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamanho adequado da empresa \u2013 a ideia era \u201cexcluir companhias pequenas que possam estar sujeitas a adversidades acima do normal, principalmente no setor industrial\u201d.<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Condi\u00e7\u00e3o financeira suficientemente forte \u2013 \u201cNo caso das companhias industriais, o ativo circulante deveria ser, pelo menos, o dobro do passivo circulante\u201d. E \u201co endividamento de longo prazo n\u00e3o deveria exceder o patrim\u00f4nio l\u00edquido circulante (ou \u201ccapital de giro\u201d)\u201d.<\/p>\n<p>3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estabilidade de lucros \u2013 A empresa deveria ter apresentado lucro em todos os anos do \u00faltimo dec\u00eanio.<\/p>\n<p>4)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hist\u00f3rico de dividendos \u2013 \u201cPagamentos ininterruptos durante, pelo menos, os \u00faltimos vinte anos\u201d.<\/p>\n<p>5)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Crescimento dos lucros \u2013 \u201cAumento de, pelo menos, um ter\u00e7o no lucro por a\u00e7\u00e3o durante os \u00faltimos dez anos usando m\u00e9dias trienais no in\u00edcio e no fim\u201d.<\/p>\n<p>6)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Raz\u00e3o pre\u00e7o \/ lucro moderada \u2013 \u201co pre\u00e7o atual da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser maior do que 15 vezes os lucros m\u00e9dios dos \u00faltimos tr\u00eas anos\u201d.<\/p>\n<p>7)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Raz\u00e3o pre\u00e7o\/ativo moderada \u2013 \u201cO pre\u00e7o atual n\u00e3o deveria ser maior do que 1,5 vez o \u00faltimo valor cont\u00e1bil divulgado. No entanto, um m\u00faltiplo de lucros inferior a 15 poderia justificar um m\u00faltiplo de ativos correspondentemente maior\u201d. Como regra, nesses casos, Graham sugeria que a multiplica\u00e7\u00e3o do P\/L pelo P\/VPA n\u00e3o deveria exceder a 22,5.<\/p>\n<p>Esses crit\u00e9rios teriam impedido que o investidor comprasse algumas a\u00e7\u00f5es que tiveram excelente desempenho no passado recente como Ambev (AMBV3) e Lojas Renner (LREN3), por exemplo. Mas, por outro lado, o investidor teria ficado fora de OGX (OGXP3) e de diversas outras empresas pr\u00e9-operacionais que vieram a mercado e tiveram desempenho p\u00edfio.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios de Graham a serem seguidos pelo investidor empreendedor s\u00e3o menos restritivos. Dessa forma, esse tipo de investidor poderia ter surfado melhor a bolsa dos \u00faltimos anos. Mas isso j\u00e1 \u00e9 assunto para outro artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cultuado investidor Benjamin Graham n\u00e3o tem feito muito sucesso. Sua estrat\u00e9gia parece antiquada. Ao contr\u00e1rio da maioria dos gestores atuais, Graham n\u00e3o fazia proje\u00e7\u00f5es dos resultados das empresas. Seus c\u00e1lculos se baseavam nos lucros pret\u00e9ritos. Graham buscava a\u00e7\u00f5es de empresas s\u00f3lidas a pre\u00e7os m\u00f3dicos. Hoje, a quest\u00e3o do pre\u00e7o parece secund\u00e1ria. 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