{"id":1337,"date":"2014-01-08T14:12:44","date_gmt":"2014-01-08T17:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1337"},"modified":"2014-02-05T12:07:27","modified_gmt":"2014-02-05T15:07:27","slug":"o-efeito-da-venda-de-ativos-na-divida-e-no-multiplo-fvebitda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1337","title":{"rendered":"O efeito da venda de ativos na d\u00edvida e no m\u00faltiplo FV\/Ebitda"},"content":{"rendered":"<p>Embora muito criticado, o m\u00faltiplo FV\/Ebitda ganhou popularidade nos \u00faltimos anos. Algumas empresas brasileiras como Vale (VALE5), a de telecomunica\u00e7\u00f5es Oi (OIBR4), Fibria (FIBR3), Marfrig (MRFG3) e Suzano (SUZB5) t\u00eam recorrido \u00e0 venda de ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos para redu\u00e7\u00e3o de suas d\u00edvidas o que produz impacto sobre o m\u00faltiplo. Com base na estrat\u00e9gia de desalavancagem da companhia e na an\u00e1lise do m\u00faltiplo FV\/Ebitda, o blog O Estrategista j\u00e1 havia inclusive indicado a possibilidade de valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de Suzano em post do in\u00edcio de 2012. Entenda como a opera\u00e7\u00e3o de venda de ativos afeta a an\u00e1lise por m\u00faltiplos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O firm value (\u201cFV\u201d ou valor da firma, em portugu\u00eas) \u00e9 calculado somando-se o valor de mercado da empresa (base acion\u00e1ria multiplicada pela cota\u00e7\u00e3o) com o endividamento oneroso l\u00edquido, ou seja, a d\u00edvida contabilizada no passivo menos o caixa alocado no ativo. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o) \u00e9 considerado, grosso modo, a gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa da companhia, embora essa aproxima\u00e7\u00e3o seja imperfeita. Embora a cr\u00edtica seja pertinente, a utiliza\u00e7\u00e3o do m\u00faltiplo FV\/Ebitda se disseminou, logo \u00e9 necess\u00e1rio entender como os investidores o utilizam.<\/p>\n<p>Considere ume empresa que gere um Ebitda de R$ 100 milh\u00f5es anuais e tenha um valor de mercado de R$ 200 milh\u00f5es e uma d\u00edvida l\u00edquida de R$ 400 milh\u00f5es, logo um valor da firma de R$ 600 milh\u00f5es. Dessa forma, a empresa estaria negociando a um m\u00faltiplo FV\/Ebitda de 6 vezes. Imagine que a empresa tenha ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos avaliados a R$ 100 milh\u00f5es e que esses n\u00e3o produzam resultado, nem negativo nem positivo. Com a venda desses ativos, a companhia pode reduzir sua d\u00edvida em R$ 100 milh\u00f5es. Com isso, o valor da firma cairia para R$ 500 milh\u00f5es e o m\u00faltiplo para 5 vezes. Qual seria a prov\u00e1vel rea\u00e7\u00e3o do mercado com a atitude tomada pela administra\u00e7\u00e3o? Fazer com que o m\u00faltiplo voltasse a negociar a 6 vezes. Dessa forma, o valor de mercado se elevaria para R$ 300 milh\u00f5es, 50% superior \u00e0 situa\u00e7\u00e3o inicial. Em outras palavras, o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o aumentaria nessa propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com as economias brasileira e mundial cambaleantes nos \u00faltimos anos o que restringe o crescimento das vendas, \u00a0a estrat\u00e9gia de vender ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos tem sido bastante utilizada.<\/p>\n<p>A mineradora Vale vendeu US$ 6 bilh\u00f5es em ativos ao longo de 2012, conforme noticiado pelo Valor Econ\u00f4mico em 27 de dezembro \u00faltimo. No final de dezembro, a empresa vendeu sua participa\u00e7\u00e3o na companhia de log\u00edstica Log In em leil\u00e3o na bolsa de valores por R$ 234,8 milh\u00f5es. Em setembro, a empresa alienou 62,4% da Valor da Log\u00edstica Integrada (VLI), focada no transporte de cargas, por R$ 4,7 bilh\u00f5es (US$ 1,990 bilh\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201cA companhia tamb\u00e9m vendeu a fatia que detinha na fabricante norueguesa de alum\u00ednio Norsk Hydro, por US$ 1,82 bilh\u00e3o, considerado o exerc\u00edcio de op\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, acertou a venda da produ\u00e7\u00e3o de ouro em Salobo, no Par\u00e1, e de n\u00edquel em Sudbury, no Canad\u00e1, por US$ 1,9 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em dezembro, a Vale concluiu a venda de quase metade de sua participa\u00e7\u00e3o de 9% na Norte Energia, empresa respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte (PA), para a Cemig, por US$ 90 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m se desfez da produtora de cobre Minera Tres Valles, por US$ 25 milh\u00f5es, para a Inversiones Porto San Giorgio (ISG) &#8211; empresa controlada pelo grupo chileno Vecchiola. Em linha com a estrat\u00e9gia de levantar recursos para os projetos de min\u00e9rio de ferro, a Vale alienou ainda uma fatia de 44% na Fosbrasil para a Israel Chemicals, por US$ 52 milh\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>E essa estrat\u00e9gia deve continuar ao longo de 2014, segundo o jornal: \u201centre os itens dispon\u00edveis para venda est\u00e3o a fatia de 40% que tem na Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte (MRN) e ativos de \u00f3leo e g\u00e1s, gera\u00e7\u00e3o de energia e parte da frota de navios. A companhia disse que pretende reduzir a participa\u00e7\u00e3o de 70% no corredor log\u00edstico de Nacala, em Mo\u00e7ambique, \u00e0 metade.\u201d<\/p>\n<p>A telef\u00f4nica Oi tamb\u00e9m tem se valido desse expediente para reduzir o endividamento. Em 2013, a companhia arrecadou R$ 4,167 bilh\u00f5es com a venda de torres (R$ 2,211 bilh\u00f5es), da Globenet, de cabos submarinos (R$ 1,750 bilh\u00e3o) e com im\u00f3veis (R$ 210 milh\u00f5es). Ap\u00f3s o anuncio da venda de 2.007 torres \u00e0 SBA Torres Brasil no in\u00edcio de dezembro, as a\u00e7\u00f5es preferenciais (OIBR4) e ordin\u00e1rias (OIBR3) tiveram alta de 13,06% e de 11,58% em apenas um preg\u00e3o.<\/p>\n<p>A fabricante de celulose Fibria (FIBR3) pretende levantar R$ 1 bilh\u00e3o com a venda de florestas plantadas de eucalipto localizadas em diversos Estados brasileiros. Segundo apurou o Valor Econ\u00f4mico em reportagem de novembro : \u201ca dire\u00e7\u00e3o da Fibria vem reiterando h\u00e1 meses a inten\u00e7\u00e3o de vender ativos que n\u00e3o s\u00e3o considerados estrat\u00e9gicos, com vistas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do endividamento e reconquista da nota grau de investimento junto \u00e0s ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco de cr\u00e9dito\u201d.<\/p>\n<p>A empresa de prote\u00edna animal Marfrig (MRFG3) tamb\u00e9m adotou essa t\u00e1tica ao repassar a Seara Brasil e a Zenda para a concorrente JBS em junho deste ano por R$ 5,85 bilh\u00f5es, numa opera\u00e7\u00e3o envolvendo assun\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas pela JBS.<\/p>\n<p>Por fim, a empresa de papel e celulose Suzano (SUZB5) efetuou algumas vendas para reduzir seu passivo. Como consequ\u00eancia, o pre\u00e7o de suas a\u00e7\u00f5es apresentaram forte valoriza\u00e7\u00e3o de 40,5% desde dezembro de 2011. O blog havia comentado sobre a poss\u00edvel aprecia\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is em post de 2 de janeiro de 2012: \u201cA tese de investimento de Suzano possui riscos, mas pode trazer excelente retorno aos acionistas se a administra\u00e7\u00e3o for bem sucedida na sua estrat\u00e9gia de desalavancagem. Mesmo com o m\u00faltiplo permanecendo constante, a a\u00e7\u00e3o tem espa\u00e7o para valoriza\u00e7\u00e3o. Quem sabe 2012 n\u00e3o ser\u00e1 melhor para as a\u00e7\u00f5es preferenciais (SUZB5), ap\u00f3s a queda de 52,6% em 2011?\u201d<\/p>\n<p>Contudo, apenas a decis\u00e3o de vender ativos n\u00e3o significa a reden\u00e7\u00e3o da companhia. \u00c9 necess\u00e1rio que ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o, a companhia esteja bem posicionada em seu segmento de atua\u00e7\u00e3o e gere caixa operacional consistente. S\u00f3 assim, as a\u00e7\u00f5es tendem a se apreciar. Do contr\u00e1rio, as opera\u00e7\u00f5es de venda apenas postergar\u00e3o o problema. Nos casos analisados acima, Marfrig e Oi, mesmo com essas vendas, podem n\u00e3o conseguir superar seus importantes problemas estruturais.<\/p>\n<p><em>Termos de Uso<\/em><\/p>\n<p><em>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora muito criticado, o m\u00faltiplo FV\/Ebitda ganhou popularidade nos \u00faltimos anos. Algumas empresas brasileiras como Vale (VALE5), a de telecomunica\u00e7\u00f5es Oi (OIBR4), Fibria (FIBR3), Marfrig (MRFG3) e Suzano (SUZB5) t\u00eam recorrido \u00e0 venda de ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos para redu\u00e7\u00e3o de suas d\u00edvidas o que produz impacto sobre o m\u00faltiplo. 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