{"id":1150,"date":"2013-09-18T16:24:20","date_gmt":"2013-09-18T19:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1150"},"modified":"2013-09-18T16:45:16","modified_gmt":"2013-09-18T19:45:16","slug":"visao-de-curto-prazo-esta-matando-as-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1150","title":{"rendered":"A vis\u00e3o de curto prazo est\u00e1 matando as empresas"},"content":{"rendered":"<p>As companhias t\u00eam dado enfoque exagerado aos resultados de curto prazo. Essa postura tem trazido graves problemas. De quem \u00e9 a culpa?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Reportagem do Financial Times \u201cEmpresas dos EUA lucram mais, mas investem menos\u201d, publicada no Valor de 8 de agosto, mostra o descasamento entre lucros e investimentos nos EUA. O artigo sugere diversas causas, mas uma chama especial aten\u00e7\u00e3o: a import\u00e2ncia excessiva que os executivos t\u00eam dado ao curto prazo. Como suas remunera\u00e7\u00f5es s\u00e3o atreladas a resultados imediatos, os administradores t\u00eam evitado investimentos de risco e refor\u00e7ado o controle de custos. \u00a0Com isso, aumenta-se o lucro sem contrapartida de incremento dos gastos com capital. Estudo de Alexander Ljungqvist da Universidade de Harvard corrobora essa teoria. Empresas de capital fechado de mesmo tamanho e do mesmo setor das empresas abertas t\u00eam investido 6,8% do total dos ativos contra apenas 3,7% das companhias listadas, quase o dobro. O estudo mostra ainda que as companhias fechadas s\u00e3o mais sens\u00edveis a oportunidades de investimento. Contudo, esse comportamento se altera ap\u00f3s abrirem o capital.<\/p>\n<p>Essa atitude pode ser rent\u00e1vel para o bolso dos executivos, mas \u00e9 danosa para o futuro das empresas, pois a falta de investimentos compromete o crescimento dos lucros no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es semelhantes t\u00eam ocorrido no mercado brasileiro onde os administradores da petroleira OGX s\u00e3o acusados de privilegiarem not\u00edcias favor\u00e1veis de forma a afetar o pre\u00e7o da a\u00e7\u00e3o e, com isso, elevar sua remunera\u00e7\u00e3o via planos de op\u00e7\u00f5es. Mas a OGX n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Cr\u00edticas semelhantes foram feitas \u00e0 HRT e a incorporadoras que apesar de apresentarem resultados operacionais frustrantes distribu\u00edram somas elevadas a seus gestores.<\/p>\n<p>Mas a culpa por essa vis\u00e3o imediatista n\u00e3o \u00e9 apenas do sistema de remunera\u00e7\u00e3o dos executivos. A ind\u00fastria de investimentos tem uma cultura voltada para a an\u00e1lise dos resultados de curto prazo. Essa sistem\u00e1tica \u00e9 interessante para a imprensa, por exemplo, pois os resultados trimestrais geram pautas peri\u00f3dicas para os jornalistas. J\u00e1 as corretoras incentivam o giro da carteira dos clientes baseando-se em an\u00e1lises de curto prazo.<\/p>\n<p>Sou contr\u00e1rio a essa cultura. Primeiro, para quem usa a metodologia do fluxo de caixa descontado com horizonte de 10 anos, um trimestre representa apenas 1\/40 do per\u00edodo. Segundo, os departamentos de pesquisa das corretoras reduzem a qualidade do servi\u00e7o que prestam aos clientes ao alocarem tempo excessivo \u00e0 an\u00e1lise dos resultados trimestrais, . Lembre-se que cada analista cobre em torno de 20 empresas. Logo computando-se apenas as pr\u00e9vias e os coment\u00e1rios sobre o resultado reportado, cada um deles elabora cerca de 40 relat\u00f3rios trimestralmente. Poucos trazem algo de interessante atendendo a m\u00e1xima de que quantidade n\u00e3o \u00e9 qualidade. Basta se ater as manchetes: \u201cresultado em linha\u201d, \u201clucro ligeiramente acima das expectativas\u201d &#8230; Esse tempo gasto de forma ineficiente poderia ser destinado a relat\u00f3rios instigantes, que fizessem o investidor se questionar.<\/p>\n<p>Algumas empresas j\u00e1 perceberam que as demandas do mercado t\u00eam sido prejudiciais aos seus interesses. Por exemplo, o controlador da Dell Computadores, Michael Dell, preferiu fechar o capital da companhia. Ele acredita que ter\u00e1 mais facilidade de implementar novas estrat\u00e9gias como empresa fechada, pois n\u00e3o precisar\u00e1 atender aos anseios imediatistas dos agentes de mercado \u2013 imprensa, analistas, gestores e investidores.<\/p>\n<p>Termos de Uso<\/p>\n<p>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As companhias t\u00eam dado enfoque exagerado aos resultados de curto prazo. Essa postura tem trazido graves problemas. 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