{"id":1140,"date":"2013-09-16T12:09:38","date_gmt":"2013-09-16T15:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1140"},"modified":"2013-09-16T14:12:36","modified_gmt":"2013-09-16T17:12:36","slug":"mundo-estranho-lucros-e-investimentos-tomam-caminhos-opostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategista.net\/?p=1140","title":{"rendered":"Mundo estranho: lucros e investimentos tomam caminhos opostos"},"content":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m duvida de que tivemos uma das piores crises do capitalismo em 2008, cujos reflexos ainda permanecem com recess\u00f5es, juros baixos e liquidez elevada incentivada pelos bancos centrais. Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como a economia real passar inc\u00f3lume. Nos Estados Unidos os lucros e os investimentos das corpora\u00e7\u00f5es que geralmente caminhavam lado a lado, tomaram caminhos opostos. Enquanto os primeiros continuam ascendentes, os gastos com capital despencaram. E no Brasil, como essas vari\u00e1veis t\u00eam se comportado?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A reportagem do Financial Times \u201cEmpresas dos EUA lucram mais, mas investem menos\u201d, publicada no Valor de 8 de agosto, mostrou que as empresas t\u00eam adotado comportamento pouco usual. Entre 1952 at\u00e9 1980, lucros e investimentos caminharam lado a lado, representando ambos cerca de 9% do PIB. Essa rela\u00e7\u00e3o foi mais fraca nas d\u00e9cadas seguintes, mas rompeu-se definitivamente em 2009. Enquanto os lucros engataram uma tend\u00eancia de alta, atingindo 12% do PIB, os desembolsos com capital despencaram para 4% do PIB.<\/p>\n<p>Embora o lucro seja uma medida cont\u00e1bil, \u00e9 razo\u00e1vel supor que quanto maior o lucro, maior a gera\u00e7\u00e3o de caixa e vice versa. Por isso, a rela\u00e7\u00e3o entre lucros e investimentos geralmente andam juntas. Com maior gera\u00e7\u00e3o de caixa, parte dos recursos \u00e9 destinada a investimentos produtivos. Contudo, isso n\u00e3o tem ocorrido.<\/p>\n<p>A reportagem sugere diversas explica\u00e7\u00f5es para o fen\u00f4meno. Alguns especialistas alegam que, com a crise de 2008, a eleva\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa permitiu que os resultados crescessem sem adi\u00e7\u00e3o de nova capacidade produtiva. Outros dizem que a perspectiva de baixo crescimento n\u00e3o tem incentivado as companhias a investirem. J\u00e1 as companhias culpam o excesso de regula\u00e7\u00e3o, de tributa\u00e7\u00e3o e as incertezas de pol\u00edtica econ\u00f4mica como restritivas ao investimento.Uma corrente cita o avan\u00e7o da informatiza\u00e7\u00e3o: a queda do pre\u00e7o dos computadores em rela\u00e7\u00e3o a outros itens de capital e seu uso mais intensivo explicariam a redu\u00e7\u00e3o dos investimentos totais da economia. Outra explica\u00e7\u00e3o \u00e9 relacionada a essa \u00faltima. As estat\u00edsticas n\u00e3o tem computado corretamente o avan\u00e7o dos ativos intang\u00edveis \u201ccomo pesquisa, desenvolvimento de marcas e melhor organiza\u00e7\u00e3o empresarial\u201d. O economista Paul Krugman advoga tese mais pessimista: \u201cum aumento do poder monopolista\u201d das grandes corpora\u00e7\u00f5es, cujos resultados crescem por interm\u00e9dio da dilui\u00e7\u00e3o de custos e aumento dos pre\u00e7os. Outra teoria fala da import\u00e2ncia excessiva que os executivos t\u00eam dado ao lucro por a\u00e7\u00e3o de forma a aumentar suas remunera\u00e7\u00f5es. A vis\u00e3o de curto prazo dos agentes de mercado tem incentivado \u00e0s companhias a serem eficientes no controle dos custos e a evitarem investimentos de risco. Com isso aumenta-se o lucro sem contrapartida de incremento dos gastos com capital.<\/p>\n<p>E no Brasil? Peguei o \u00edndice acion\u00e1rio brasileiro com maior n\u00famero de empresas, o IBrX, e calculei os lucros e investimentos em rela\u00e7\u00e3o ao PIB entre 2003 e 2012, Eliminei as companhias integrantes do \u00edndice que n\u00e3o apresentaram resultados em todos os anos. Restaram 70 empresas. Durante o per\u00edodo tanto o lucro quanto os investimentos andaram em linha com exce\u00e7\u00e3o de 2005, 2012 e 2013 (entre junho de 2012 e junho de 2013). Em 2005, os investimentos ca\u00edram enquanto os lucros permaneceram firmes, situa\u00e7\u00e3o similar a dos Estados Unidos hoje. Contudo, fen\u00f4meno inverso ocorreu em 2012 e 2013: os investimentos permaneceram ascendentes e os lucros despencaram.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1141\" alt=\"investimentos crescentes\" src=\"https:\/\/estrategista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes-1024x606.jpg\" width=\"625\" height=\"369\" srcset=\"wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes-1024x606.jpg 1024w, wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes-300x177.jpg 300w, wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes-600x355.jpg 600w, wp-content\/uploads\/2013\/09\/investimentos-crescentes-624x369.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Minha leitura \u00e9 a de que os lucros sentiram o efeito da desacelera\u00e7\u00e3o da economia. Por outro lado, mudan\u00e7as na decis\u00e3o de investimentos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u00e1geis. Assim, os gastos com capital n\u00e3o foram descontinuados apesar da altera\u00e7\u00e3o do quadro macroecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o tanto nos EUA quanto no Brasil n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. L\u00e1, a reten\u00e7\u00e3o do lucro ou sua distribui\u00e7\u00e3o aos acionistas sem novos investimentos comprometer\u00e3o o crescimento dos lucros futuros. Como consequ\u00eancia, a propor\u00e7\u00e3o do lucro sobre o PIB tende a cair aproximando-se do \u00edndice de investimentos. E aqui, investimentos com lucros an\u00eamicos (logo com menor gera\u00e7\u00e3o de caixa) empurram as empresas para o financiamento dos investimentos via d\u00edvida o que apresenta um limite. Assim, caso o cen\u00e1rio n\u00e3o se altere, teremos queda dos investimentos no m\u00e9dio prazo com sua converg\u00eancia para o n\u00edvel dos lucros. O crescimento saud\u00e1vel das empresas americanas e brasileiras necessita de uma nova din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Em suma, quem lucra n\u00e3o investe e quem n\u00e3o lucra investe. Definitivamente vivemos em um mundo estranho.<\/p>\n<p>Termos de Uso<\/p>\n<p>As an\u00e1lises, opini\u00f5es, premissas, estimativas e proje\u00e7\u00f5es feitas neste blog s\u00e3o baseadas em julgamento do analista respons\u00e1vel e est\u00e3o, portanto, sujeitas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de mercado. O analista de investimento respons\u00e1vel por este blog declara que as opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o refletem exclusivamente suas opini\u00f5es pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e aut\u00f4noma. As opini\u00f5es contidas neste espa\u00e7o podem n\u00e3o ser aplic\u00e1veis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situa\u00e7\u00e3o financeira espec\u00edfica. O autor n\u00e3o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por preju\u00edzos de qualquer natureza em decorr\u00eancia do uso destas informa\u00e7\u00f5es. Toda e qualquer decis\u00e3o de investimento baseada nas opini\u00f5es aqui expostas \u00e9 de exclusiva responsabilidade do investidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m duvida de que tivemos uma das piores crises do capitalismo em 2008, cujos reflexos ainda permanecem com recess\u00f5es, juros baixos e liquidez elevada incentivada pelos bancos centrais. Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como a economia real passar inc\u00f3lume. 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