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Dividendos podem funcionar como suporte para a bolsa
sexta-feira, 21 de março de 2014

Uma das perguntas mais frequentes em cursos que ministro ou enviadas por e-mail refere-se à hora apropriada para vender ou, no lado oposto, para comprar uma ação. Assistindo a atual queda da bolsa, a dúvida cresce: “já caiu o bastante, devo entrar?”. Observando os múltiplos e o retorno esperado com dividendos de algumas ações, a queda da bolsa deve perder força. A recuperação da bolsa essa semana pode comprovar essa tese.

O investidor comum toma por base a alta ou a queda absoluta de uma ação para decidir se vende ou compra uma ação. Se o preço da ação, por hipótese, avança 100%, o investidor coça as mãos para vendê-la. Mas e se o lucro cresceu na mesma magnitude? Não há razão para se desfazer do papel, pois o preço da ação apenas refletiu a melhora operacional da empresa.

Quando a bolsa ensaia uma queda acentuada como atualmente, a pergunta é inversa: “já não caiu o suficiente? Não é hora de comprar?”. Ao se analisar o retorno com dividendos (“dividend yield”) de algumas empresas tomando-se por base os lucros projetados pelos analistas para esse ano fornecidos pelo sistema de análise fundamentalista S&P Capital IQ, encontramos rentabilidades atrativas como 6% para Petrobras (PETR4) e 7% para Telefonica Brasil (VIVT4). Algumas incorporadoras que apresentavam geração negativa de caixa até recentemente em decorrência dos fortes investimentos começam a gerar retorno aos acionistas como Helbor (HBOR3), Even (EVEN3) e Direcional (DIRR3), apresentando “dividend yield” entre 5% e 7%.

Outro ponto importante a se analisar são os múltiplos P/L (preço por lucro) para 2014 de algumas empresas queridas pelo mercado como Ambev (ABEV3), Localiza (RENT3) e Totvs (TOTS3). Até recentemente, suas ações negociavam a múltiplos de até 30 vezes. Contudo, hoje, estão com indicadores abaixo de 20 vezes: 19,7 x, 19,7x e 16,7x, respectivamente. Caso estivesse vivo, o cultuado gestor Benjamin Graham ainda não as indicaria ao investidor defensivo, mas já poderia sugerí-las aos investidores empreendedores, aqueles mais dedicados ao trabalho de análise. Há um ano, essas ações com múltiplos acima de 25 x não entrariam no radar de Graham de forma alguma.

O mercado ainda corre riscos como a possibilidade de uma queda abrupta do crescimento chinês (“hard landing”), o recrudescimento da crise na Ucrânia ou a necessidade de racionamento de energia no país. Contudo, caso nenhum evento contundente ocorra, os múltiplos atuais e o retorno com dividendos esperados para algumas empresas podem servir de suporte para a queda da bolsa. Essa interpretação parece ter alimentado os ânimos dos investidores na semana que se encerra.

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As análises, opiniões, premissas, estimativas e projeções feitas neste blog são baseadas em julgamento do analista responsável e estão, portanto, sujeitas à modificação sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado. O analista de investimento responsável por este blog declara que as opiniões contidas neste espaço refletem exclusivamente suas opiniões pessoais sobre a companhia analisada ou fundos e foram realizadas de forma independente e autônoma. As opiniões contidas neste espaço podem não ser aplicáveis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situação financeira específica. O autor não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizados por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Toda e qualquer decisão de investimento baseada nas opiniões aqui expostas é de exclusiva responsabilidade do investidor.

"4" Comments
  1. André,
    Parece que número de investidores que estão à procura de razões para um movimento de alta está crescendo em razão do esgotamentos dos motivos que levaram às quedas recentes.
    Este movimento é uma das características dos movimentos de recuperação duradoura do mercado de ações ou apenas um ajuste decorrente do esgotamento dos indicadores técnicos, portanto passageiro?
    Um abraço,
    Elias

    • Oi Elias
      As ações caíram mais do que os fundamentos, tanto que vemos atrativos dividend yields, por exemplo.
      Mas não dá para dizer que a alta é duradoura dado o cenário externo ainda conturbado – China, Ucrânia, Europa – e o interno – inflação, situação fiscal. Mas dá para dizer que caso não haja um evento contundente o espaço para queda é limitado.
      Abraço,
      André Rocha

  2. Andre, boa noite,

    Será que para um investidor de longo prazo não importaria muito mais a manutenção do valor intrínseco da empresa, não importando muito a cotação atual do papel, mesmo porque comprando aos poucos vai se fazendo um preço médio no investimento.
    E não seria muito perigoso basear o investimento tão somente em proventos, como foi o caso recente das elétricas, v.g., Eletropaulo ?
    Forte abraço !
    Carlos

    • Oi Carlos

      Sem dúvida um investimento não pode se basear apenas nos dividendos. O tema dividendos ocupa espaço grande nos cursos que tenho ministrado, pois o mercado simplifica muito o tema.

      Utilizei o exemplo para mostrar que papéis que não têm tradição de pagar altos DY, após a queda da cotação, já apresentam retornos atraentes.

      Abraço

      André

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